" Não sou um bom ouvinte de rádio, mas também muito poucos torcedores o são. O público é muito mais rápido que os locutores - os urros e lamentos precedem as descrições das ações por vários segundos - e a incapacidade de ver o campo me deixa muito mais nervoso do que eu ficaria se estivesse no estádio ou assistindo pela televisão. No rádio, todo chute desferido contra o seu gol é endereçado ao canto superior, todo cruzamento cria pânico, todo tiro livre do adversário é pertinho do limite da área; naqueles tempos anteriores aos jogos televisionados ao vivo, quando a Radio 2 era o meu único elo com as longínquas disputas de títulos por parte do Arsenal, ficava sentado brincando com o seletor, passando de uma estação pra outra, querendo desesperadamente saber o que estava acontecendo, mas querendo com igual desespero não ter de ouvir. O futebol pelo rádio é o futebol reduzido ao mínimo denominador comum. Sem os prazeres estéticos do jogo, sem o reconforto de uma multidão que sente as...