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20/06/2015
Especial de "Provocações" traz bate-papo sobre carreira de Abujamra
17/05/2015
Garoto de programa é entrevistado no "Provocações"
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Na próxima terça-feira, dia 19, a TV Cultura apresenta edição inédita do Provocações, que tem como convidado o garoto de programa Alan Souza. Vai ao ar às 23h30.
Alan explica que prefere ser chamado de prestador de serviço sexual, “porque a palavra é muito forte”. Natural do Rio de Janeiro, ele conta que fugiu do morro em que era gerente do tráfico de drogas e migrou para Salvador.
Na capital baiana, trabalhou em diversas áreas, até que encontrou um prostíbulo. “Numa noite de sábado, um casal amigo do cafetão me viu, gostou de mim e quis fazer um programa. No dia seguinte, eu peguei o dinheiro e investi em anúncios de jornal, para poder trabalhar mais como prestador de serviço sexual.”
Durante a entrevista, Alan fala como lida com a carreira, mesmo sendo pai de duas adolescentes, cita as dificuldades que enfrenta em seu trabalho. Mas ele também tem outras atividades profissionais: “Eu sou compositor, tenho mais de 50 músicas, um canal na internet e escrevo pautas pra televisão. Tem vários projetos que estão sendo difundidos por aí”. Ao término do programa, Antônio Abujamra lê Viviane Mosé.
28/04/2015
Abu, o que é a vida?
Mesmo com tremendas dificuldades que por ora estamos passando para atualizar nosso blog, bem como o nosso programa de rádio, não poderíamos nos furtar de publicar tão triste notícia, ainda que com um inaceitável atraso. De qualquer maneira, é uma forma de homenagearmos - só os leitores mais antigos lembram disso - uma das fontes inspiradoras deste blog.
Parafraseando o grande ator/diretor/apresentador: "Caro leitor, o que é a vida?"
Faleceu na manhã desta terça-feira, aos 82 anos, apresentador do Provocações Antônio Abujamra. A causa da morte ainda não foi divulgada. Abu, como era conhecido, era diretor de teatro, ator e dramaturgo. Deixa dois filhos e dois netos. O velório será realizado no Teatro Sérgio Cardoso, no bairro da Bela Vista, em São Paulo (Rua Rui Barbosa, 153).
Antônio Abujamra - biografia
Um provocador nato
No dia 13 de setembro de 1932, em Ourinhos, cidade do interior de São Paulo, nascia Antônio Abujamra. Provocador nato, Abu, como era conhecido entre amigos e familiares, se formou filósofo e jornalista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
Mas foi por seu destaque no teatro e sua inovação na televisão que ele entraria para a história da intelectualidade brasileira. Sua primeira experiência nas artes cênicas se deu como ator amador, na fase de seus 20 anos, com a peça Assim é se lhe parece, de Luigi Pirandello, encenada no Teatro Universitário de Porto Alegre.
Após uma temporada no teatro amador do Rio Grande do Sul, Abu ganhou, em 1959, uma bolsa para estudar literatura espanhola em Madri, na Espanha. De lá seguiu para Paris, onde trabalhou com Roger Planchon e Jean Vilar. Em seguida foi para a Alemanha, país no qual participou da companhia de teatro Berliner Ensemble, de Bertold Brecht.
De volta ao Brasil, dirigiu, em 1961, Raízes, de Arnold Wesker, com Cacilda Becker, que marcou sua primeira direção profissional. Entre 1962 e 1963, Abujamra fundou o grupo Decisão, com base na técnica brechtiana para o teatro político. O trabalho, no entanto, teve fim com o AI-5, durante a ditadura militar. Desde então, ele comandou mais de 150 montagens. Sua atuação como ator profissional, no entanto, se deu de forma tardia, em 1987.
Em entrevista à revista IstoÉ/Senhor, em 1988, falando do início de sua carreira, Abujamra declarou que “Quem não pensa que é sério quando jovem? Quando jovem eu pensava dirigir uma peça para mudar o mundo. Tinha uma fúria dedicada”.
Durante a entrega do Festival Hispânico de Miami, realizada em 1996, Abujamra discursou sobre o teatro: “E para que serve a utopia? Eu dou um passo, o teatro dá dois passos. Eu dou dois passos, o teatro dá quatro passos. A utopia serve para isso: continuar caminhando”.
Na televisão, fez parte dos mais diversos programas, passando por emissoras como TV Tupi, SBT, Bandeirantes, Manchete, Globo e Record. Ao lado de Fernando Faro, Abujamra trabalhou em Divino Maravilhoso e Colagem, na TV Tupi. Além disso, dirigiu novelas como Ossos do Barão, no SBT, e Os Imigrantes, na TV Bandeirantes.
Como ator, atuou na TVs Manchete, Record e Globo, sendo que, nesta última, ficou eternizado como o Ravengar, personagem da novela Que rei sou eu?, de Cassiano Gabus Mendes, de 1989.
Em 1971, passou a integrar a equipe da TV Cultura. Sobre o início de sua trajetória na emissora pública paulista, ele afirmou em entrevista datada de 2012: “Quando entramos na TV Cultura, era para mostrar que nós não deveríamos ser copiadores, nós deveríamos ser copiados. Era uma geração que não tinha medo de nada, que fazia as coisas com coragem, que acreditava na possibilidade de esclarecer popularmente”.
Na TV Cultura, dirigiu infantis como Vila Sésamo e participou de programas como Contos da Meia-Noite e Grande Teatro em Preto e Branco. Desde 2000, ele estava à frente do programa Provocações.
Principais prêmios
- Juscelino Kubitschek de Oliveira, em 1959 - Pela direção de A Cantora Careca, de Eugène Ionesco
- Melhor ator, em 1987 - Por O Contrabaixo, de Patrick Suskind
- Kikito de melhor ator - Festival de Gramado, em 1989 - Pelo filme Festa, de Ugo Giorgetti
- Melhor ator de TV, 1989 - Por sua atuação como Ravengar na novela Que rei sou eu?, de Cassiano Gabus Mendes, na TV Globo
- Molière, em 1991 - Pela direção de Um Certo Hamlet, com o grupo Os Fodidos Privilegiados
- Lifetime Achievement, em 1996, no XI Festival Internacional de Teatro Hispânico em Miami, Estados Unidos.
24/03/2015
Antonio Abujamra entrevista Celso Sabadin em "Provocações"
Antônio Abujamra recebe os críticos Ida Vicenzia e Celso Sabadin, que falam sobre a arte da crítica na próxima edição do Provocações. Vai ao ar na terça-feira, dia 24 de março, às 23h30, na TV Cultura. Com 37 anos de carreira como crítica de teatro, Ida Vicenzia confessa sua paixão pelo ofício. “Minhas críticas não costumam ser muito corriqueiras, não é que me falte modéstia. Eu quero entrar no âmago do espetáculo, no coração dos atores. Por isso, quando eu não gosto de um espetáculo eu não faço a crítica”.
Ida ressalta que a crítica não pode ser absoluta: “A crítica de teatro não é uma verdade para mim nem para as pessoas que leem, porque ela não cumpre um papel definitivo a não ser quando aponta alguma coisa que possa orientar o ator ou o diretor”. O crítico de cinema Celso Sabadin explica as dificuldades da profissão. “A grande maioria dos meus colegas é crítico porque gosta da crítica, do pensamento cinematográfico e não tem pretensões de ser cineasta. É difícil viver da profissão. A gente conta nos dedos de uma das mãos os críticos de cinema que vivem exclusivamente da crítica. Todo mundo tem um plano B”.
Segundo Sabadin, o cinema brasileiro emperra na circulação. “Nós conseguimos resolver o velho problema da produção. Produzimos uma variedade de filmes bastante razoável, mas não há onde exibir, pois não temos salas de cinema. As distribuidoras não são eficientes e isso gera um mercado interno consumidor muito pequeno”. O crítico também fala que o público está equivocado quanto à produção do cinema brasileiro, “O grande público acredita que o único filme brasileiro que está em cartaz são as comédias da Globo, o que não é verdade!”. Antônio Abujamra lê Mário da Silva Brito.
17/03/2015
Uma conversa da família Abujamra no Provocações
André é um multiartista e atua em diversas áreas. É músico, compositor, multi-instrumentista, diretor e ator. Ele fala dessa sua versatilidade e ressalta a importância da música em sua vida . Apaixonado pelos sons desde pequeno, ele comenta essa afinidade. “A única coisa que me cura os males da alma é o som, o barulho. Qualquer som para mim é música”.
Premiado compositor, André é responsável pela criação da trilha sonora de 50 longas-metragens. Ele explica como extrapolou a música e tornou-se artista em outras áreas. O teatro foi o primeiro, porque eu fazia trilha sonora de teatro. Depois casei com a Anna Muylaert e comecei a fazer as músicas dos curtas dela e dos amigos. Veio a trilha do Carlota Joaquina, da Carla Carmurati. De lá para cá, para todos os diretores de cinema que me chamavam eu dizia que faria a música, mas pedia para aparecer como ator. A partir daí começaram a me chamar para ser ator em novela. E eu gosto!”.
André Abujamra é a favor da “destribificação” musical, e ele explica o termo: “Tem gente que só gosta de bolero. Tem gente que só gosta de ópera. Tem gente que só gosta de heavy metal. São as tribos. Eu queria que um punk cantasse junto com uma orquestra sinfônica, que o Sepultura tocasse com Sandy e Junior, Chitãozinho e Xororó. Eu acredito que destribificar, abrir sua cabeça musicalmente, é muito importante”.
Ele revela que não se emociona civicamente. “Como música, eu acho o Hino Nacional maravilhoso...” Na opinião do artista, o Brasil e o mundo estão muito caretas. “A minha banda, Os Mulheres Negras, hoje não pode se chamar assim, tem que ser Os Mulheres Afrodescendentes. Tudo é muito chato, a música é ruim e artisticamente é nivelado por baixo”.
Diante da pergunta do pai – o que é a vida? – André responde: “A vida, papai, é uma causa perdida. E hoje, eu entendo e acredito no que você me falava desde pequeno”. O provocador refaz a pergunta e ele diz: “A vida é o amor que eu sinto pelos meus filhos e por você”. Mesmo emocionado, Abujamra pai insiste mais uma vez na pergunta final do programa e o Abujamra filho afirma: “Vida é uma causa perdida”.
25/07/2014
Rubem Alves é homenageado no Provocações
O Provocações da próxima terça-feira (29/7) presta uma homenagem ao educador Rubem Alves, que faleceu no último dia 19. Em entrevista concedida a Antônio Abujamra em maio de 2011, o teólogo, psicanalista e escritor critica o sistema de ensino aplicado nas escolas, defende uma educação que favoreça o desenvolvimento da criança e comenta sobre o período em que foi pastor da Igreja Presbiteriana. O programa vai ao ar às 23h30, na TV Cultura.
A Educação que, nas palavras de Abujamra, anda tão “machucada”, foi o norte do trabalho de Rubem em vida. “Eu sou educador não por dar aula, eu sou educador por escrever”, disse ele. Responsável por publicações de crônicas, contos e ensaios voltados para o público infanto-juvenil, Rubem deixa claro que seu maior interesse está nas pessoas, porque são elas que buscam pela aquisição de conhecimento e, por isso, podem ser educadas.
Essa é a razão pela qual considera frustrante o sistema de ensino empregado nas escolas. “Os nossos programas seguem o modelo da linha de montagem: todos querem aprender a mesma coisa, no mesmo momento, na mesma velocidade”, comenta Rubem, cuja crítica é dirigida às grades curriculares: “A maioria das pessoas simplesmente aceita a grade curricular e os professores tem que dar o programa, mas muitos não se perguntam qual é a sua finalidade”. Uma solução proposta pelo escritor está na construção de um currículo que favoreça os talentos da criança, de modo que ela aprenda aquilo que lhe será útil na prática. “A criança é o centro do mundo do ponto de vista educacional”, explica.
Além de educador, Rubem Alves foi pastor da Igreja Presbiteriana. Sobre sua experiência na instituição religiosa, é bem categórico ao questionar certos comportamentos defendidos pelas igrejas, como o celibato. “Ela [a Igreja Católica] não muda. E esse é um dos problemas dela, essa dificuldade de aceitar que não foi perfeita, e que, portanto, pode mudar.”
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