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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Valei-me meu São Roquete Pinto!!!!!

Manias, gerundismos e outros "ismos" à parte. A última flor do Lácio sofre na mão de seus falantes. Eu nunca cheguei em qualquer lugar da minha cidade - ou de qualquer outra cidade - para perguntar as horas a um transeunte e este me responder: São 11 da noite mais 40 minutos. Lembro me de que, certa vez, ao perguntar as horas a um colega do departamento de esportes da Rádio Globo em um dos sinuosos corredores da sede da emissora, em São Paulo, meu interlocutor disse: "Olha, no meu relógio faltam 20 para meia noite, mas acho que ele está muito atrasado. Se você for tomar o Metrô, corre. Se não você perde o último trem." acrescentou o solícito colega.

Qual não é a minha surpresa ao constatar que, alguns dias depois deste ocorrido, este nobre colega passa a apresentar seu programa dizendo: "Boa noite, ouvinte. São 8 da noite mais 43 minutos". Confesso que senti um arrepio na espinha com tamanha novidade "linguística". Afinal, conhecia de cor e saltaeado todas as regras e recomendações do Manual de Redação e Estilo da Rádio Jovem Pan - o segundo livro deste gênero lançado por um veículo da Imprensa Brasileira - o primeiro fora o da Folha de São Paulo. Por que ele não disse apenas "são 8 horas e 43 minutos", ou ainda "8 e 43", ou sendo mais preciso "20 horas e 43 minutos"? Poderia simplesmente dizer "faltam 17 minutos para as 9 da noite". Afinal não foi assim que este colega tão solicitamente outrora me informara as horas?

Surgiu ao longo daquele turno de trabalho, uma shakespiriana dúvida a respeito da nova forma de se dizer as horas. Eu e os então colegas de redação chegamos até a consultar o grande Honorê Rodrigues, professor de direito e profundo conhecedor do idioma Português falado no Brasil. Afinal ele fora por muitos anos locutor da Rádio Eldorado e atuou lado a lado com Sergio Viotti, Rubens de Falco, Boris Casoy, Paulo Autran, Ivan Machado de Assis e uma grande constelação de vozes marcantes da emissora do Estadão desde sua fundação, em 1958, até o final da década de 80.

Ao final de uma longa reflexão, o grande sábio sentenciou: "Olha, gramaticalmente não há nada errado a rigor. Mas que é muito cafona anunciar as horas desse jeito no rádio ou pessoalmente, isso é. E o pior que, do jeito que esses modismos vem e não vão, esse vai demorar a passar."

Dito e feito. Depois daquele maldito dia, todos os repórteres e apresentadores começaram a dar as horas assim: "São 10 da noite mais um minuto". Foi pior do que a praga do gerúndio. Nem o esporte da Jovem Pan, tão zelosa no uso do nosso idioma pátrio, conseguiu escapar. Foi pior do que o "gerundismo dos atendentes de call center".

De uns 3 anos para cá, parece que o modismo incômodo arrefeceu. Mas eis que, nesta quente noite paulistana, ouço um certo repórter soltar a seguinte pérola: "amigo ouvinte da Bandeirantes, são oito da noite mais 29 minutos". Ah, meu São Landel de Moura, que o Hélio Ribeiro, o Alexandre Kadunk e minha Santa mãezinha não tenham ouvido essa lá no céu. Se fosse na CBN, a famosa e simpática dona Nadir certamente ficaria em dúvida se era pra tomar seu remédio ou não. Se fosse na Rádio Globo, fazer o quê, né? Mas na Bandeirantes que tem ombudsman e o Salomão Esper? Ai ai ai ai ai ai. Será que este modismo vai voltar? Valei-me, meu São Roquete Pinto!!!!!!!!