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Artigo: "Você é 'unhafobo', amigo leitor?", por Fernando Jorge


O sábio suíço Dufour descobriu que a unha do dedo mínimo cresce menos rapidamente do que as dos outros dedos, e que as dos polegares são as que se desenvolvem mais depressa.

Conforme certos psicólogos, talvez superarrojados nos seus métodos deduzidos, as unhas rosadas e fortes perten¬cem aos indivíduos sadios, as largas e rentes aos tenazes e arrebatados, as vermelhas aos perversos e vingativos, as pequenas e redondas aos ciumentos, as aduncas aos soberbos e cúpidos, as sujas e mal cuidadas aos negligentes e inquietos, as longas e chatas aos tímidos e meditativos, as curtas e roídas aos estúpidos ou libertinos, as longas e delgadas aos preguiçosos e aos estetas...
As siamesas tem por hábito deixar crescer de modo inacreditável as unhas das mãos. E quando ficam enormes, costumam adorná-Ias com pequenas placas de prata. Isto nos lembra o Príncipe de Tarento que segundo afirma Scarron, "havia deixado crescer a unha do dedo mínimo da mão esquerda até atingir um tamanho espantoso, o que ele considerava a coisa mais elegante do mundo”.

Sempre pelo espaço de doze meses, o rei Victor Manuel, da Itália, não cortava determinada unha dos seus dedos. Mas, no primeiro dia de cada ano, após a unha ter alcançado cerca de uma polegada de comprimento, o monarca a enviava a um joalheiro, que a polia e lhe aplicava o matiz característico da pedra chamada “Olho de gato”. Em seguida o artíficie a montava num fino engaste de ouro rodeado de brilhantes. Depois, com todo requinte, sua majestade ofertava esta jóia à segunda esposa, a Condessa Rosina, que chegou a possuir umas quatorze idênticas.

Sabemos que vários homens celebres nutriam aversão por animais, objetos ou coisas. O cheiro do peixe produzia febre em Erasmo de Rotterdam. Jacques I, rei da Inglaterra, tornava-se pálido ao ver qualquer espada. Fabrício Campani assegura que D. Juan Rol, cavaleiro de Alcântara, caía em síncope quando escutava a palavra “Lana”. Henrique III tinha ojeriza pelos gatos. E Francisco Vernier, Duque de Veneza, não conseguia suportar, sem perder os sentidos, o aroma de uma rosa, O sábio Júlio Cesar Scalígero, médico e gramático italiano, num dos seus escritos informa que certo fidalgo gascão experimentava tanto medo ao ouvir o som da sanfona que, percebendo os menores acordes desse instru¬mento, logo sentia uma extraordinária vontade de urinar...

A esta relação podemos acrescentar o nome de Henrique IV, o galante e bravo soberano que, segundo as “Memórias” de Sully, não quis que Villeroy fosse grão-mestre de artilharia, porque as unhas deste eram pálidas...

Não ignoramos que a xenofobia é o horror aos estrangeiros; a cinofobia, o horror aos cães; a claustrofobia, o horror aos ambientes fechados; a enofobia, o horror ao vinho; a fotofobia, o horror à luz; a escotofobia, o horror à escuridão; a gerentofobia, o horror aos velhos; a mitofobia, o horror às mentiras; a triscaidecofobia, o horror ao número treze; a tafofobia, o horror de ser sepultado vivo em conseqüência de morte aparente; a astrofobia, o horror aos terremotos, furacões, relâmpagos e tempestades... E o horror às unhas, como deve ser chamado? Unhafobia? Você é unhafobo, amigo leitor?

Fernando Jorge é escritor e jornalista, autor do livro "As lutas, a Glória e o Martírio de Santos Dumont", lançado pela HaperCollins. www.fernandojorge.com



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