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Até que ponto o rádio liga para o que o ouvinte quer?

Já vimos aqui mesmo na Rádio Base que o ouvinte nem sempre é a vítima nesse processo que leva à mesmice no rádio. Muitas vezes é o próprio ouvinte que pede dezenas de vezes as mesmas músicas, digamos, "sugeridas" pelas emissoras e aí fecha-se o ciclo. O mesmo é ouvido eternamente. Até que outros hits sejam sugeridos e os ouvintes comprem a ideia. E hoje temos dois testemunhos de como essa relação pode funcionar.

Um vem do jornalista Marcio Apolinário, que teve seu pedido prontamente atendido... e nem era musical:

"No último domingo, enquanto rolava no Twitter uma enquete feita pela Tatiana Vasconcellos (apresentadora da Band News FM), com a colaboração do também apresentador Luiz Megale, lembrei de uma vinheta que Megale havia feito para a coluna de humor de José Simão.

Eu já tinha pensado em mandar um e-mail pedindo, mas optei naquele dia por tentar o contato pelo próprio Twitter, durante a brincadeira da enquete. Enviei um “Tweet”, perguntando ao Megale como eu conseguiria tal vinheta. Em alguns minutos ele me respondeu, pedindo para que eu enviasse um e-mail a ele pedindo, que ele me respondia com o arquivo.

Pois bem. No dia seguinte, pouco depois de sair do ar, Luiz Megale já tinha me mandado a tal vinheta. Um detalhe interessante é que nesse mesmo dia, ele usou a vinheta, que já não usava há um tempo, na apresentação da coluna do Simão".

Na verdade, não é nem uma vinheta produzida, é um trecho do áudio de um deputado pedindo "calma" a seus colegas. De brinde, Megale ainda enviou outro trecho de áudio, referente ao futebol da seleção portuguesa.

O outro exemplo veio da rádio 105 FM, de Jundiaí. Na última segunda-feira, ouvi um diálogo inusitado entre um ouvinte e o locutor Fábio Rogério, apresentador da segunda edição do Espaço Rap, programa destinado ao rap nacional.

Para contextualizar: o ouvinte que participa ao vivo do programa escolhe uma música entre quatro opções para ouvir. Ou seja, o ouvinte não pede exatamente a música que ele quer ouvir naquele momento. Alguém resolveu questionar esse método da rádio. Infelizmente, não gravei, estava ouvindo na rua. Mas a situação foi tão inusitada que não tive como não memorizar:

- E aí, Fábio, beleza?
- Tudo certo, cara... o que manda?
- Então, eu queria entender aí como é esse esquema de não poder pedir música, ter de escolher...
- Claro que pode pedir. A cada hora, a gente coloca 12 músicas na programação. E as opções que a gente dá por telefone estão sempre dentro dessas 12.
- Mas então não adianta eu pedir fora dessas opções...
- Claro que adianta. Essa programação é baseada nos pedidos dos ouvintes. Quanto mais pedir, mais aparece aqui.
- Mas se eu quiser ouvir agora uma música que não está nas opções?
- (o locutor, já meio impaciente) Qual música cê quer?
- Eu queria ouvir Câmbio Negro, "Um Tipo Acima de Qualquer Suspeita".
- Vou ver aqui... mas isso é tão antigo que está em MD ainda (explica brevemente o que é MD).
- Mas então... ouvi um papo de que vocês não tocam Facção Central, tem um rolo aí...
- (locutor interrompendo) Sexta-feira eu toquei, "Desculpa Mãe". Cê ouve o programa?
- Ah, eu ouço sim, de vez em quando...
- Então, sexta-feira a gente tocou.
- Mas beleza... se der pra rolar o Câmbio Negro aí.
- Ok, vou procurar aqui nos MDs... um abraço.
- Valeu. Desculpa a encheção de saco aí...
- Que nada, mano... cê é ouvinte. Tá certo.

O que houve depois: A música que estava dentro das tais quatro opções foi executada: "Mulher Elétrica", da Banda Black Rio com o Mano Brown. Fabio Rogério achou o MD do Câmbio Negro, mas não tocou exatamente a música que foi pedida. O nome da música que ele tocou? "E que se Fodam Vocês".

O nome dessa música, muitas vezes - e infelizmente -, representa o que o programador musical pensa do pobre ouvinte, que está alheio a todos os outros interesses que a emissora tem na hora de montar sua grade.

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