Pular para o conteúdo principal

Na era da internet, rádio tenta sobreviver com os olhos no futuro

Ethevaldo Siqueira

Onde houver um alto-falante ou um par de fones de ouvido, o rádio aí estará, pois, hoje, mais do que nunca, precisa tornar-se mais vivo, mais forte e mais avançado. Eu vejo o caso da internet como um novo meio de se ouvir rádio. Um estudo recente (da empresa Arbitron) mostra que 42 milhões de norte-americanos ouvem rádio online, via internet, toda semana. Vejam que coisa boa: a internet amplia nossos horizontes. Ela é a continuação de nossas transmissões. Temos que dizer tudo isso ao nosso público.

Essa é a visão otimista do rádio, exposta por David Rehr, presidente da Associação Norte-Americana de Radiodifusores (NAB, na sigla em inglês), em seu discurso de abertura do NAB Show 2009 e em entrevista aos jornalistas que cobriram a abertura do evento, na semana passada. Para ele, o rádio e a televisão passam por mudanças empolgantes. São mudanças totalmente inesperadas, que parecem ocorrer num piscar de olhos e que dão a impressão de serem desestabilizadoras. Na posição em que me encontro, entretanto, posso afirmar que são oportunidades para serem agarradas e não para deixar escapar.

Rehr reconhece a inquestionável crise econômica por que passa o mundo. E o rádio, naturalmente, enfrenta grandes desafios. Mas, em contrapartida, aqui mesmo, neste NAB Show, estamos comprovando que os profissionais do rádio e da TV - os radiodifusores - estão forjando o futuro, aprimorando as inovações e criando múltiplas plataformas para a distribuição de seu conteúdo. Nossa estratégia é da convergência positiva, pois podemos transformar os desafios em novas oportunidades, como, por exemplo, a visão tridimensional, a incorporação da FM aos chips dos celulares e à exploração total das possibilidades da internet.

Na verdade, o rádio prepara-se para o futuro e para captar as múltiplas oportunidades da era digital. De um lado, as emissoras têm que enfrentar, sem qualquer hesitação, os desafios tecnológicos. De outro, enfrentar o desafio da tomada de duras decisões para assegurar o equilíbrio econômico e um futuro mais seguro de suas empresas.

O presidente da NAB discorda das pessoas que acusam o rádio de ser a mídia do passado, de não haver evoluído diante dos desafios da era digital, obsoleto e incapaz de enfrentar a concorrência dos tocadores de MP3 e de outras plataformas.

Diante de tantas ameaças e perigos, a NAB lançou há dois anos o projeto Rádio 2020 - uma iniciativa para que o valor do rádio continue a ser reconhecido também no futuro, como grande meio de comunicação que é. Nesse sentido, a grande preocupação da NAB é a revitalização do rádio, num projeto de 12 anos, com dois objetivos principais: de um lado, corrigir as eventuais distorções de percepção pelo público e, de outro, aprofundar o que poderia ser chamado de um caso de amor (ou love affair) entre o ouvinte e o rádio.

Outra preocupação do rádio norte-americano é tornar reconhecido pela sociedade o papel exercido por esse meio de comunicação. Esse é o objetivo central da campanha Rádio Ouvido Aqui, pela qual as emissoras relembram aos ouvintes a importância da radiodifusão para a comunidade local, para os negócios, para a indústria eletrônica e para a vida social em geral. Segundo Rehr, a campanha está, de certo modo, levando o rádio de volta às suas origens. Mas o importante, relembra, é ir além do discurso da campanha, e atingindo, efetivamente, esses objetivos.

Para outros líderes, a volta às origens significa resgatar um pouco daquela visão original dos pioneiros do rádio, ao nascer no começo do século passado, que era estar muito mais próximo do ouvinte, pela informação, pelo entretenimento, pela cultura, pela prestação de serviço, pelos debates de interesse social, pelas grandes causas, pela democracia, pela defesa do meio ambiente, pela paz.

A vitalidade do rádio pode ser medida pelo nível de audiência de 80% da população total dos Estados Unidos: quase 240 milhões de pessoas que sintonizam seus receptores a cada semana. Ao mesmo tempo, o rádio amplia sua audiência com os novos formatos e modelos proporcionados pela internet, nos podcasts, blogs e redes sociais.

Ainda na visão de David Rehr, as emissoras de televisão e a própria NAB fazem desde 2005 um esforço especial para completar a transição da TV analógica para a TV digital. O setor de televisão como um todo uniu-se com o objetivo de educar e informar o consumidor, numa campanha de mais de US$ 1 bilhão. Essa campanha educativa alcançou praticamente todos os espaços visíveis da America, garante Rehr: na própria TV, nos barcos, aviões, ônibus, nos pontos de coletivos, nos metrôs, no rádio, nos cartazes dos outdoors, na internet, nas maiores e nas menores feiras, num total de 8.300 eventos nos Estados Unidos.

O único problema ainda sem grande perspectiva e que não é enfrentado pela NAB é a questão da digitalização do rádio nos Estados Unidos. Por mais propaganda que se faça, por maior que seja o apoio da entidade, o padrão chamado HD Radio, da empresa Ibiquity, não decola e tem problemas de qualidade que o tornam inaceitável para os Estados Unidos e para o mundo. É mais fácil digitalizar o rádio pela internet do que pelas formas de transmissão tradicionais, via atmosfera.
-----------------
Esse texto foi publicado no Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba, um dos únicos veículos a trazer conteúdo sobre o NAB Show 2009. Ele traça uma perspectiva positiva para o rádio, mesmo com a crise mundial que interfere diretamente nas comunicações. Ao mesmo tempo, não tem boas notícias para quem torce pelo rádio digital, que não pegou nos EUA, com o seu excelente serviço de rádios por satélite.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Difusora e Excelsior

Estava eu "fuçando" no Google sobre rádios e locutores quando encontrei esse blog interessante. Como já estou na faixa etária dos 50, relembro com muita saudade as Rádios Difusora e Excelsior. Aí eu pergunto: por onde andam as vozes, que me faziam suspirar, de Antonio Celso e Dárcio Arruda? Li semanas atrás sobre o saudoso Henrique Régis, outra voz maravilhosa!Portanto,se alguém souber sobre o paradeiro deles, me contem. A última vez que ouvi falar do Antonio Celso é que ele estava na Voz da América. Abraços!!! Vânia Amélia Dellapasi vdellapasi@yahoo.com.br ----------------------------- Cara Vânia, Dárcio Arruda é diretor de jornalismo e comanda um talk show diário na Rede TV Mais de Santo André. Não sei por onde andam os demais. Se alguém souber, mande um sinal de fumaça para cá. Um abraço, Vânia e continue na nossa sintonia.

Os Melôs da Rádio Mundial

Extraído da extinta comunidade do Big Boy no Orkut. Leia e comente: Já que o assunto é também a Rádio Mundial, que tal relembrarmos as "melôs" que esta rádio inventava (por que não dizer inovava)? Melô DO POPEYE - Frank Smith - Double Dutch Bus Melô DA PORRADA - Bachman Turner Overdrive - Hold Back The Water Melô DO BÊBADO - Bob James - Sign Of The Times Melô DA XOXOTA - Crown Heights Affair - Sure Shot Melô DA MAÇÃ - The Trammps - Zing Went The Strings Of My Heart Melô DO BANJO - Al Downing - I'll Be Holding On Melô DO PULADINHO - George McCrae - Rock Your Baby Melô DA ASA - Randy Brown - I'd Rather Hurt Myself Melô DO BOMBEIRO - Jim Diamond - I Should Have Known Better Melô DAS MENINAS - Debbie Jacobs - Hot Hot Melô DA MARCHA À RE - Gap Band - Oops Upside Your Head Melô DO TARZAN - Baltimora - Tarzan Boy Melô DA CONCEIÇÃO - Love De Luxe - Here Comes That Sound Melô DO BROWN - Tom Tom Club - Genius of Love Melô DA BANDINHA - Jimmy Ross - First True Love Af...

Vamos resgatar a Rádio Cultura da Belo Horizonte

Amigos da Rádio Base É uma vergonha o que está acontecendo com uma das emissoras mais tradicionais de Belo Horizonte. Desde que a Igreja Católica adquiriu a Rdio Cultura AM 830 KHz, a mesma esta passando por um verdadeiro sucateamento, com uma aparelhagem super ultrapassada, transmissores de péssima qualidade, fazendo com que a emissora fique mais fora do ar do que tudo. Numa época em que um canal de rádio custa muito caro a Igreja Católica deveria vendê-la e aplicar o seu dinheiro em finalidades sociais que a mesma tanto prega. A Cultura AM, que já foi a emissora dos jovens nos anos 70 e início dos 80, está sumindo do ar a passos largos. Por favor, salvem a Cultura AM. É um apelo da sociedade!!!! Elias Torrent Belo Horizonte - MG