terça-feira, 3 de março de 2009

As ondas curtas em seus extertores

O QUE ACONTECE COM O RÁDIO
por Ubiratan Lustosa

O rádio brasileiro passa por grandes dificuldades. A coisa vem acontecendo e se avoluma cada vez mais. Além da enxurrada de concessões feita por diversos governos, há outros problemas a considerar. Primeiro: alguns rádios difusores deixaram sucatar os transmissores de ondas curtas. De repente, começaram a se desfazer deles. Os tradicionais ouvintes desta faixa ficaram a ver navios. Depois deixaram que deteriorassem os transmissores de ondas médias e passaram a arrendá-los ou vendê-los para empresas que modificaram estruturalmente as programações das emissoras. E, aqueles fiéis ouvintes das ondas médias foram desrespeitados. Tudo isso baseado na falsa premissa de que não há mais ouvintes para este tipo de transmissão. Os ouvintes de agora preferem o rádio pela Internet, dizem ser melhor. Tolo engano. É imensurável o número de ouvintes das ondas médias, gente que gosta até de seu som característico (os Dexistas que o digam) e lá nos cafundós do interior brasileiro há muita gente lamentando o desaparecimento de certas emissoras de ondas curtas. Sintonizando-as tinham diversão e ficavam informados do que acontecia no Brasil e no mundo. Gente humilde, não tem contato com os computadores. Mas, ouve rádio. Engraçado, se não há mais ouvintes porque alguém as arrenda ou compra?

Nessa leva de novos rádios difusores vieram muitos sem qualquer afinidade com o meio. Nada contra suas preferências políticas ou crenças religiosas. Nada contra terem emissoras de rádio, desde que não desfigurassem as características primordiais à boa radiofonia e que não entregassem as emissoras nas mãos de ineptos em substituição a profissionais autênticos e competentes. Ao mesmo tempo em que isto vem acontecendo, o mercado de trabalho vai escasseando e muitos profissionais perderam seus empregos. A rádio difusão foi invadida por muita gente totalmente destituída de requisitos essenciais à atividade radiofônica, a sensibilidade e o talento. Nem todos servem para esta profissão.

Essa “degringolada”, causada por estes novos e improvisados radio difusores e radialistas, causa uma série de inconveniências. As emissoras perdem a sua identidade, deixam de dar atenção preferencial à cidade em que se encontram, ao Estado que pertencem. Sua finalidade é desvirtuada. Gera-se desemprego para os verdadeiros profissionais do ramo.

Ao obter a concessão para se instalar uma emissora de rádio, assumem-se compromissos explícitos junto ao poder concedente, isso se for legal, não é correto esse “aluguel” de prefixos que vem ocorrendo, por ser contrário aos interesses das populações locais que na emissora de sua cidade passam a ouvir notícias e assuntos que não são de seu interesse, mas de interesse dos que moram em outras cidades/estados.

É no mínimo uma desconsideração que o velho DENTEL não permitia. Não sei agora. E para aqueles que acham que os ouvintes estão sumindo, um pequeno lembrete: para cativar a preferência popular a emissora precisa de um som aceitável, o que se obtém com bom equipamento e um técnico competente. Em seguida é imprescindível uma boa programação, o que só é possível com profissionais do ramo, talentosos, sensíveis, capazes de captar o gosto popular na região em que atuam.

Como manter isso? Com bons contatos (corretores), integrando um departamento comercial eficiente. E, para cumprir a finalidade da radiofonia, basta seguir o velho lema do Rádio: “Divertir Educando, Educar Divertindo”. Quem se acha incapaz de fazer isso não deve entrar nesse ramo.

6 comentários:

Anônimo disse...

Coroando seu comentário de gente que só tem interesses comerciais, vejo a notícia de que a nova FM 96.1 de Catanduva (na verdade Elisiário.SP) nem entrou no ar e foi arrendada pra Rede Aleluia da Igreja Universal.
Volto com meu comentário: vou arrumar um dinheiro emprestado, solicitar uma concessão de FM e, dure o tempo que for, após conseguir, arrendar na minha cidade por uns, digamos, 30 mil por mês e viver de alegrias...
Fácil, não?

mariotomazella disse...

Referente as Ondas Curtas, é uma vergonha, a poderosa Radio Globo SP, locar a sua tranmissão ao pastor David Miranda. Lamentavel. A B2 de Curitiba, que retransmite a Eldorado, simplesmente tirou do ar sua transmissão da OC.

Mario Donizetti Tomazella
Novo Horizonte SP

Anônimo disse...

O que diria Edgard Roquette-Pinto Se pudesse ver como anda o seu e nosso tão querido rádio..?Certamente diria que não imaginou que o rádio virasse o que virou. Idealistas como ele e quem se identifica com a proposta de educar divertindo e divertir educando são raros e pastam para levar isso a frente. Infelizmente.

WAGNER - MAUÁ - SP

Roberto Ayres disse...

Concordo plenamente. Essas concessões que foram entregues a pessoas que não são do ramo, normalmente políticos, deram origem a essa situação lastimável.
Parabéns pelo Blog.

Marco Ribeiro disse...

Senhor anônimo lá no alto da página, tudo bem? O senhor se incomodaria de dizer seu nome?

Marcelo Bedene disse...

Este texto foi copiado da cronica do Ubiratan Lustosa: Vide em: http://www.ulustosa.com/Cronicas/O_QUE_ACONTECE_COM_O_RADIO.htm