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Band News - fórmulas para o sucesso ( e para o fracasso)

A ano de 2005, certamente, entrará para a história da radiodifusão brasileira como o aquele em que o radiojornalismo teve uma de suas maiores agitações no começo do novo milênio. É impossível dizer que este mercado continuou o mesmo depois que a rede Band News FM entrou no ar. O distinto público viu, ouviu e agora acompanha par e passo cada lance dessa batalha acirrada pela hegemonia de audiência entre as emissoras com
programação exclusivamente jornalística.

A Rede Bandeirantes de Rádio colocou a Band News FM no ar sob a alegação de oferecer uma nova opção de mídia informativa na faixa do FM, baseando-se em um modelo americano, em que as notícias são atualizadas em períodos precisos dentro de uma hora, no caso, a cada 20 minutos, não abrindo possibilidade para programas diários ou
semanais específicos, tal como acontece na imensa maioria das estações de todos os gêneros. O modelo da Band News FM parece mais um “vitrolão de notícias”, que se utiliza dos demais recursos e do pessoal dos outros veículos do Grupo Bandeirantes de Comunicação.

Ao entrar no ar, cerca de 3 meses atrás, a nova emissora não agradou os ouvintes. Primeiro pelo modelo um tanto quanto burocrático – que praticamente impede que se use as maiores qualidades do rádio – flexibilidade e improviso, quando necessário. Depois porque, para criar o embrião de sua rede, a Bandeirantes simplesmente tirou do ar
estações que já tinham um público cativo, em sua maioria, sem se importar ao menos em avisar seus “clientes” das mudanças que estavam por vir. A proprietária da Band News nem se preocupou em oferecer alternativas para esse imenso batalhão de ouvintes pelo país afora e jogou-o no direto no colo da concorrência, cada vez mais profissionalizada e acirrada nos mais diversos segmentos. Paira uma sombra de preocupação no mercado sobre este tipo de atitude. Na ânsia de disputar ponto a ponto a concorrência com a CBN, a Band News fechou emissoras líderes de audiência em suas praças. Não é de se admirar que, se o projeto Band News não der certo, ele pode ser
descartado sem mais nem menos, tal como ocorreu com alguma de suas antecessoras.

Alguns analistas mais cautelosos (cautelosos até demais, eu diria) afirmam que ainda é cedo para tirarmos conclusões se a nova rede do grupo Bandeirantes dará certo. Eles dizem também que o novo assusta. Talvez seja isso mesmo. Mas a continuar a insistência em copiar “ipsis literis” o tal modelo americano de rádio noticioso, não
será de se espantar que o fracasso se torne iminente.

Há quem diga que, em seus primórdios, a CBN passou pelos mesmos “apuros”. Não foi bem isso o que ocorreu. A CBN, em suma, adaptou formatos de programação das emissoras noticiosas existentes naquela época no Brasil e concentrou seu foco na irradiação exclusiva de notícias, isso sim, algo novo que “assustava” naquela conjuntura.

Em menos da metade do tempo previsto por seus criadores, a nova atração do Sistema Globo de Rádio conseguiu suplantar suas antecessoras, que não iam muito bem das pernas, e consolidou sua marca para depois montar sua rede pelo país afora. Mas o caminho não foi fácil: a CBN teve de modificar e muito seu projeto original para atender as necessidades da audiência cada vez mais exigente e qualificada, a qual os grandes anunciantes perseguiam. Tal como acontece na TV, qual empresa não quer ter sua marca veiculada a um veículo de informação com credibilidade, ainda mais em rede? É justamente isso que a Band News persegue: o grande anunciante, aquele que pode veicular sua campanha nacionalmente, de olho na visibilidade que ela pode ter.

A Rede Bandeirantes de Rádio, a exemplo de outras grandes redes, incluindo o próprio Sistema Globo de Rádio, jamais conseguiu implantar um projeto de emissora em rede para todo o país, devido as características regionais e locais que sempre acabavam fazendo “abortar” uma programação padronizada, via satélite, para o país inteiro. Por
causa do “nicho” em que atua, que lida com um conteúdo atraente para um público heterogêneo nas cinco regiões brasileiras, a CBN é o exemplo mais bem acabado do que deve ser uma rede radiofônica no Brasil, até este momento. É natural que outras empresas de comunicação queiram brigar com ela neste segmento. É uma briga custosa. Afinal, não basta pegar 4 ou 5 emissoras por aí, mudar-lhes o nome e a programação e dizer que tem uma rede. Jornalismo em rádio requer investimentos pesados, principalmente em conteúdo e recursos humanos, sob pena de fazer um produto de quinta categoria, que logo sucumbirá.

Se investirem seriamente neste filão, é possível que a Band News e outras que se pretendam lançar no negócio de radiojornalismo em rede 24 horas cheguem em pouco tempo aonde a CBN chegou nos seus quase 14 anos de história. E quem sairá ganhando em qualidade e conteúdo, muito mais do que as próprias emissoras, serão os ouvintes e o mercado pois terão uma opção neste segmento da informação.

Comentários

Anônimo disse…
Será que esse comentário vale hoje ainda?

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