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Reportagem a distância

por Luiz Weis
do Observatório da Imprensa


Não vai dar certo. E se der certo é porque algo está errado.

Um dia desses, James Macpherson, dono do jornal online Pasadena Now – da cidade do mesmo nome, com 140 mil habitantes, a menos de 20 quilômetros do centro de Los Angeles – demitiu os seus sete empregados americanos, entre eles cinco repórteres a quem pagava cerca de US$ 2.800 mensais, e os substituiu por seis indianos.

Que moram na Índia.

É isso mesmo. Ele terceirizou para o outro lado do mundo, a 10 mil quilômetros de distância, a cobertura de sua cidade.

Os free-lancers indianos, que aceitam trabalhar pela miséria de US$ 7,50 por mil palavras de texto, foram contratados a partir de anúncios – na internet, claro. Um deles, no caso uma mulher de Mysore, no sul da Índia, nem se considera jornalista. “Eu tento fazer o melhor, mas nem sempre acerto”, admitiu ela à colunista Maureen Dowd, do New York Times, que conta a história no jornal deste domingo, 30.

A “repórter”, por exemplo, imaginou que Rose Bowl fosse um evento gastronômico (Bowl é terrina, prato fundo) e não um importante acontecimento esportivo em Pasadena (Bowl é também estádio).

Mas como é que funciona?

Pautados por Macpherson e sua mulher, os terceirizados apuram o que se lhes pede, falando com as fontes por telefone, skype e e-mail, depois de mergulhar nos sites e blogues de Pasadena. Na internet eles também pegam press-releases, dados e entrevistas, além de acompanhar as transmissões ao vivo da Câmara Municipal.

Com isso eles acompanham desde o trivial variado, como a inauguração da árvore de Natal da cidade, aos assuntos mais quentes, como os debates na Câmara sobre a proibição do uso de sacolas plásticas por lojas e supermercados.

Todos, naturalmente, falam e escrevem inglês fluentemente. Nenhum jamais pôs os pés em Pasadena.

Para Macpherson, tanto faz como tanto fez. Ele diz que o seu jornalismo é “g-local”. O gê é de global. Reconhece que o seu jornalismo a distância é menos acurado que o tradicional, em papel ou online. “Alguma coisa se perde”, concede, mas acha que isso é detalhe. A propósito, ele está convencido de que muitos jornais impressos são cadáveres ambulantes e que o negócio é investir em alternativas menores, mais ágeis e “internetcêntricas”. “Precisamos todos nos preparar para o inevitável”, profetiza.

É o que parece achar também o presidente do conglomerado de comunicação MediaNews Group, Dean Singleton, dono de 54 diários americanos, entre eles um de Pasadena e o mais conhecido Denver Post, do Colorado. Ele disse numa conferência que a idéia da empresa é terceirizar praticamente todas as atividades relacionadas à produção jornalística.

“E se tiver que terceirizar para o estrangeiro, que seja”, deu de ombros. “No mundo computadorizado de hoje, se a sua mesa fica no fim do corredor ou do outro lado do planeta, isso não tem a menor importância”.

Para o que essa gente deve entender por jornalismo, claro que não tem.


Comentário: Acho melhor tentar esconder essa notícia dos donos de rádios do interior. Vai que eles se animam com a idéia e resolvem fazer a mesma coisa nos seus respectivos departamentos de jornalismo...

Comentários

Anônimo disse…
Isso me lembra uma certa emissora que adora fazer reportagens à distância. E olha que o que não falta lá são repórteres e viaturas....

Marco Ribeiro
Anônimo disse…
Ou aquelas que poêm "som ambiente" de carros correndo na Fórmula 1 ou da torcida gritando no futebol enquanto a transmissão descaradamente está sendo feita num estúdio...

WAGNER - MAUÀ- SP
Marcão, a única diferença é que ainda não contrataram ninguém que mora no exterior para fazer essas coisas.
isso, Wagner, se chama "off tube. O saudoso Jorge de Sousa era mestre em fazer isso na Excelsior. E o Dalmo Pessoa comentava os jogos da noite na Bandeirantes direto do estúdio. Só que o Jorge de Sousa PODE (ou podia). O Dalmo Pessoa também PODE. O resto tem que ir lá ver, se não, NÃO PODE.
O problema é que esses indianos nem ao menos nunca foram aos Estados Unidos, quanto mais à Pasadena, na Califórnia. Aí é que está.
isso, Wagner, se chama "off tube. O saudoso Jorge de Sousa era mestre em fazer isso na Excelsior. E o Dalmo Pessoa comentava os jogos da noite na Bandeirantes direto do estúdio. Só que o Jorge de Sousa PODE (ou podia). O Dalmo Pessoa também PODE. O resto tem que ir lá ver, se não, NÃO PODE.
O problema é que esses indianos nem ao menos nunca foram aos Estados Unidos, quanto mais à Pasadena, na Califórnia. Aí é que está.
Anônimo disse…
Marco, infelizmente não acompanhei o Jorge de Souza na Excelsior, mas ele narrou por muito tempo F1 já pela então novata CBN. Na época, não conhecia esse recurso chamado "off tube". Gostava muito de ouvir o Luis Roberto narrando fórmula 1 pela CBN, com Off tube ou não. Eu acompanhei a morte do Ayrton via narração do Luis e pela tv ao mesmo tempo. Como pôde perceber sou um CBNista, como dizia o velho Márcio de Souza.

WAGNER - MAUÀ - SP

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