O Pick-up do Picapau é tema de dissertação de mestrado



"Walter Silva: o mais popular disc-jóquei de São Paulo em sintonia com a transformação da música brasileira" é a dissertação que defendi na segunda, dia 26 de junho de 2017. A pesquisa tem como tema o surgimento do “vitrolão” no rádio brasileiro, formato que unia a música de disco à personalidade dos disc-jóqueis, em substituição aos programas musicais ao vivo, com orquestra, que imperavam no rádio brasileiro dos anos 1940 até meados dos anos 1950. Com isso, permite-se perceber a relação entre música e mídia ao longo de pelo menos duas décadas. 

O estudo inclui a audição de depoimentos deixados por Walter Silva em importantes centros de pesquisa, no caso Centro Cultural São Paulo e Museu da Imagem e do Som (MIS). O objetivo é apresentar a maneira de pensar e produzir para o rádio e a música, pelo ponto de vista de um disc-jóquei que foi de fundamental importância para a difusão da MPB e, em especial, da Bossa Nova. Com isso, pretende-se resgatar a memória do rádio paulistano entre o final dos anos 1950 e o início da década de 1980, período em que Walter Silva alcançou a liderança de audiência com seu “Pick-up do Picapau”. Como objetivo secundário, serão oferecidos - para estudantes e jovens profissionais de rádio - argumentos que permitam a elaboração de projetos e programas mais consistentes para esse meio de comunicação, a partir do estudo da base da linguagem radiofônica.  

Esse trabalho teve como ponto de partida entrevista que realizei com a parceira de vida e profissão de Walter durante 50 anos, Déa Silva, no final de 2011, para o quadro Interferência, da Rádio Bandeirantes. Para produzir a dissertação, tive acesso ao acervo particular da família de Walter Silva e a divisão de multimeios do Centro Cultural São Paulo. O referencial teórico inclui pensadores como Fernando Iazzetta, Paul Zumthor, Marcos Napolitano, Lipovetsky, além de outros pesquisadores e autores de livros ligados à Bossa Nova e ao rádio. Os resultados podem ser conferidos na defesa que acontece na segunda, dia 26, e apontam para o entrelaçamento entre comunicação e memória, ao promover uma escuta atenta da evolução do rádio e da música brasileira.


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