Da Geração 60 de Poetas de São Paulo, Álvaro Alves de Faria é um dos nomes mais significativos. É autor de mais de 50 livros, incluindo poesia, novelas, romances, ensaio literário, livros de entrevistas com escritores e peças de teatro. Mas é fundamentalmente poeta.
Como jornalista cultural, pelo seu trabalho em favor do Livro, recebeu por duas vezes o Prémio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1976 e 1983, e por três vezes o Prémio Especial da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1981, 1988 e 1989. Foi distinguido, ao longo dos anos, com os mais importantes prémios literários do país. A sua peça de teatro “Salve-se quem puder que o jardim está pegando fogo” recebeu o Prémio Anchieta para Teatro, um dos mais importantes dos anos 70 no Brasil. A peça, no entanto, foi proibida de encenação 15 dias antes da estreia e permaneceu censurada até à abertura política, quase ao fim da ditadura.
Foi o iniciador, nos anos 60, dos recitais públicos de poesia em São Paulo, quando lançou o seu livro “O Sermão do Viaduto”, em pleno Viaduto do Chá, então o cartão-postal da cidade. Com microfone e quatro alto-falantes realizou nove recitais no local e foi detido cinco vezes como subversivo pelo DOPS – Departamento de Ordem Pública e Social. Voltou a ser preso em 1969, por desenhar os cartazes do Partido Socialista Brasileiro. Há mais de 15 anos que se dedica à poesia de Portugal, país onde tem 16 livros publicados – 15 de poesia e uma novela. Essa trajetória na terra de seus pais começou quando representou o Brasil no III Encontro Internacional de Poetas na Universidade de Coimbra, em 1998, a convite da ensaísta e professora Graça Capinha, tendo sido, então, o nome mais discutido no evento.
É – e faz questão de ser – uma espécie de dissidente da poesia brasileira que, como afirma, tomou rumos de uma verdadeira aventura inconsequente num cenário melancólico amparado por um jornalismo chamado “cultural” sem compromisso com nada. Sem generalizar – é bom que se diga – o poeta observa que poucos se salvam nesse vale de lágrimas. Os “poetas” brasileiros nascem da noite para o dia e desaparecem também do dia para a noite, porque não se sustentam, apesar dos louvores e de uma mentira que qualquer país mais ou menos civilizado não aceitaria. Mas no caos do Brasil aceita-se tudo.
O que se vê atualmente são cenas deprimentes que envolvem praticamente todos os setores da vida brasileira. Diz o poeta: “Tenho orgulho de ser chamado poeta luso-brasileiro. Fugi para Portugal para me salvar da hecatombe da poesia brasileira que está desaparecendo aos poucos nas mãos alguns vândalos”. Foi o poeta homenageado no X Encontro de Poetas Ibero-americanos, em 2007, em Salamanca, Espanha, nesse ano dedicado ao Brasil, convidado pelo poeta peruano-espanhol Alfredo Pérez Alencart, da Universidade de Salamanca.
Teve publicada, no evento, uma antologia de poemas “Habitación de Olvidos”, com seleção e tradução de Alfredo Perez Alencart. Tem outros livros publicados em Espanha, traduzidos pela poeta espanhola Montserrat Villar González, com edição na mais importante Coleção de Poesia de Espanha, dirigida pelo poeta Antonio Colinas. Participa de mais de 70 antologias de poesia e contos no Brasil e em vários países. É traduzido para o espanhol, francês, italiano, inglês, japonês, servo-croata e húngaro. (Colaborou José Antonio Martinez)
Saiba mais sobre Álvaro Alves de Faria em seu portal - http://www.alvaroalvesdefaria.com/

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