Rádio Bandeirantes de São Paulo passa a retransmitir programa humorístico da Band TV. Mais um factoide?
A partir desta segunda, o programa humorístico CQC volta ao ar pela BAND TV. A grande "novidade" para este é que ele passará a ser retransmitido também pela Rádio Bandeirantes de São Paulo.
Este expediente de se levar o som da tv para o rádio pura e simplesmente já está se tornando comum nas emissoras de rádio. Além de "retransmitir" os telejornais da TV,a Band News FM - que também é do grupo - "pirateia" o áudio do programa de entrevistas Canal Livre.
A CBN, concorrente mais próxima destas emissoras, também "copia o áudio" da TV Globo, quando esta leva ao ar o Programa do Jô.
Quem já teve a "fascinante experiência" de ouvir algum destes programas no rádio, sabe que não é a mesma coisa que vê-lo na tv. Pode até quebrar o galho de quem no momento da exibição não está em frente de um televisor, mas é apenas um...paliativo.
Se fosse tão simples assim, bastaria dispensar as equipes esportivas das emissoras de rádio e ligar o áudio do televisor na hora das partidas de futebol, o que por si só já seria uma idiotice atroz, não é mesmo? Certamente, o "gênio" que teve esta ideia deve achar que rádio é "televisão sem imagem".
O que é mais lamentável é o desprezo que se tem pelo conteúdo de meio Rádio. Afinal, por que uma Rádio Bandeirantes precisaria restransmitir o áudio da Band TV? Será que um programa como o CQC tem uma audiência tão baixa que precise da audiência - e do prestígio - de uma emissora de rádio pra ser "ouvido"?
Infelizmente, reina no meio empresarial de comunicação no Brasil aquela mentalidade terceiro-mundista do século XX de se faturar mais, investindo o mínimo possível. E que investir, que apostar em um projeto promissor, é sinônimo de gastar. Querem que o CQC vá para as ondas do Rádio? Ótimo!!! então faça a lição de casa: montem uma equipe para fazer o programa CQC para o Rádio. Quiçá até contrate apresentadores diferentes somente para o Rádio. Assim, ganha o mercado de trabalho dos profissionais de rádio. E se os profissionais de Rádio ganham com isso, os ouvintes também ganham. E se os ouvintes tem programas de qualidade no ar, é lógico que o faturamento aumenta e quem ganha é o dono da rádio, não é mesmo?
Vejam o exemplo da Estadão / ESPN. Apesar de retransmitir alguns pouquíssimos programas da emissora da tv a cabo de mesmo nome - o que até se compreende, porque 80% dos ouvintes não têm acesso a ela, mas não se justifica - eles tiveram o bom senso de criar uma programação própria, com linguagem adequada ao Rádio e à tradição informativa de seus parceiros do Grupo Estado e à sua própria tradição de jornalismo esportivo.
Atentem também para o programa Pânico na TV - que por acaso fará parte da grade da Band este ano. Há quase 20 anos, ele existe como programa diário de humor e entrevistas na Jovem Pan FM. Em 2003 eles foram para a Rede TV!. Logo no início, seus criadores perceberam que não poderiam fazer o programa de Rádio numa televisão e mudaram radicalmente o formato. Desta forma, criaram uma atração totalmente nova e diferente do que se fazia na FM.
É bem verdade que o Pânico na TV conseguiu ao longo do tempo bater vários recordes negativos de qualidade, indo na direção diametralmente oposta do que foi seu ex-"arquirrival" e agora "companheiro de emissora" CQC (UIA!). Mas a qualidade deste não é o objeto de nossa análise aqui, neste momomento. Mesmo assim, seu exemplo quanto à adaptação de linguagem entre os meios de comunicação é válido.
Apostar no "contrabando" do som do programa da tv para o Rádio é ir de encontro a tudo que os fundadores do Grupo Bandeirantes sempre acreditou. Dá-se a impressão de que eles não acreditam na competência e talento de quem trabalha em suas emissoras de rádio, talvez achando que eles não sejam capazes de produzir um show radiofônico à altura do CQC ou de seus telejornais. Como ouvinte, eu digo que eles são, sim, não dentro das proporções de um programa de Tv transmitido para o Brasil todo. Porém, dentro do que é possível para uma emissora de Rádio com tantos anos de tradição é altamente viável.
Está na hora dos executivos e profissionais das empresas de comunicação perceberma que esta falada "sinergia" entre os diversos meios de comunicação é fato real. No entanto, há de respeitar as características intrínsecas de cada um, diante do momento histórico. Do contrário, "notícias" como estas não passaram de meros factoides.
Este expediente de se levar o som da tv para o rádio pura e simplesmente já está se tornando comum nas emissoras de rádio. Além de "retransmitir" os telejornais da TV,a Band News FM - que também é do grupo - "pirateia" o áudio do programa de entrevistas Canal Livre.
A CBN, concorrente mais próxima destas emissoras, também "copia o áudio" da TV Globo, quando esta leva ao ar o Programa do Jô.
Quem já teve a "fascinante experiência" de ouvir algum destes programas no rádio, sabe que não é a mesma coisa que vê-lo na tv. Pode até quebrar o galho de quem no momento da exibição não está em frente de um televisor, mas é apenas um...paliativo.
Se fosse tão simples assim, bastaria dispensar as equipes esportivas das emissoras de rádio e ligar o áudio do televisor na hora das partidas de futebol, o que por si só já seria uma idiotice atroz, não é mesmo? Certamente, o "gênio" que teve esta ideia deve achar que rádio é "televisão sem imagem".
O que é mais lamentável é o desprezo que se tem pelo conteúdo de meio Rádio. Afinal, por que uma Rádio Bandeirantes precisaria restransmitir o áudio da Band TV? Será que um programa como o CQC tem uma audiência tão baixa que precise da audiência - e do prestígio - de uma emissora de rádio pra ser "ouvido"?
Infelizmente, reina no meio empresarial de comunicação no Brasil aquela mentalidade terceiro-mundista do século XX de se faturar mais, investindo o mínimo possível. E que investir, que apostar em um projeto promissor, é sinônimo de gastar. Querem que o CQC vá para as ondas do Rádio? Ótimo!!! então faça a lição de casa: montem uma equipe para fazer o programa CQC para o Rádio. Quiçá até contrate apresentadores diferentes somente para o Rádio. Assim, ganha o mercado de trabalho dos profissionais de rádio. E se os profissionais de Rádio ganham com isso, os ouvintes também ganham. E se os ouvintes tem programas de qualidade no ar, é lógico que o faturamento aumenta e quem ganha é o dono da rádio, não é mesmo?
Vejam o exemplo da Estadão / ESPN. Apesar de retransmitir alguns pouquíssimos programas da emissora da tv a cabo de mesmo nome - o que até se compreende, porque 80% dos ouvintes não têm acesso a ela, mas não se justifica - eles tiveram o bom senso de criar uma programação própria, com linguagem adequada ao Rádio e à tradição informativa de seus parceiros do Grupo Estado e à sua própria tradição de jornalismo esportivo.
Atentem também para o programa Pânico na TV - que por acaso fará parte da grade da Band este ano. Há quase 20 anos, ele existe como programa diário de humor e entrevistas na Jovem Pan FM. Em 2003 eles foram para a Rede TV!. Logo no início, seus criadores perceberam que não poderiam fazer o programa de Rádio numa televisão e mudaram radicalmente o formato. Desta forma, criaram uma atração totalmente nova e diferente do que se fazia na FM.
É bem verdade que o Pânico na TV conseguiu ao longo do tempo bater vários recordes negativos de qualidade, indo na direção diametralmente oposta do que foi seu ex-"arquirrival" e agora "companheiro de emissora" CQC (UIA!). Mas a qualidade deste não é o objeto de nossa análise aqui, neste momomento. Mesmo assim, seu exemplo quanto à adaptação de linguagem entre os meios de comunicação é válido.
Apostar no "contrabando" do som do programa da tv para o Rádio é ir de encontro a tudo que os fundadores do Grupo Bandeirantes sempre acreditou. Dá-se a impressão de que eles não acreditam na competência e talento de quem trabalha em suas emissoras de rádio, talvez achando que eles não sejam capazes de produzir um show radiofônico à altura do CQC ou de seus telejornais. Como ouvinte, eu digo que eles são, sim, não dentro das proporções de um programa de Tv transmitido para o Brasil todo. Porém, dentro do que é possível para uma emissora de Rádio com tantos anos de tradição é altamente viável.
Está na hora dos executivos e profissionais das empresas de comunicação perceberma que esta falada "sinergia" entre os diversos meios de comunicação é fato real. No entanto, há de respeitar as características intrínsecas de cada um, diante do momento histórico. Do contrário, "notícias" como estas não passaram de meros factoides.
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