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Dono de um vozeirão, tinha sempre um livro na mão

Um dos destaques da fase atual da Folha de S. Paulo é a volta do obituário. Com textos leves e até - porque não - bem humorados, a reportagem noticia a morte de alguém contando sobre sua vida.

Infelizmente foi a vez do nosso colega radialista Ciro César, ex-Jovem Pan. Com o título acima, a Folha de S. Paulo prestou homenagem justa ao locutor na edição de hoje:

ESTÊVÃO BERTONI
DA REPORTAGEM LOCAL

Aos 12, Ciro César Silvério começou anunciando pipoca num carrinho pelas ruas de Morretes, no Paraná. No domingo (7), aos 71, ele deu as notícias no rádio pela última vez, em SP. Sua voz parecia cansada, segundo amigos que ouviram sua transmissão.

Dono de um vozeirão, ele foi ao ar primeiramente por rádios paranaenses. Com o talento descoberto, integrou o "Grande Jornal Falado Tupi", ao lado do radialista Corifeu de Azevedo Marques.


Passou pelas rádios "Difusora", "Bandeirantes" e "Eldorado". Desde 1990, estava na "Jovem Pan". Durante a carreira, fez também trabalhos de publicidade e narração de documentários.


Conta o amigo e jornalista Fernando Zamith que Ciro era um dos melhores "mancheteiros" do rádio de SP -designação dada a locutores com voz grave e forte.


Homem culto, adorava música e estava sempre com um livro na mão -era um "rato de livraria", diz o amigo.


Em 1993, perdeu a mulher num acidente de carro. A partir de então, acumulou o papel de mãe da terceira filha, então com oito anos -foi pai de outras duas meninas, mas de outro casamento.


Domingo, fez seu último plantão. Voltou para casa e, brincando com a neta Beatriz, de cinco meses de idade, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral), que o deixou em coma até quinta, quando morreu, deixando três netos.


De acordo com a filha Rhys, a missa de sétimo dia será amanhã, às 17h30, na igreja Nossa Sra. de Fátima, em SP.

Comentários

Flávio Guimarães disse…
A volta dos obituários da Folha se baseia, sem dúvida, nos obituários do New York Times, sucesso absoluto há muitos anos. Tratando a morte com base na dimensão de quem deixou sua marca entre nós, o jornal presta, no fundo, um tributo à própria vida. O amigo radialista e companheiro de trabalho Ciro Cesar, ao receber essa honraria, dignifica ainda mais o rádio, que defendeu em vida com extremo profissionalismo. Restam poucos como Ciro. Novos talentos rareiam cada vez mais. Quando surge algum, infelizmente, usa o rádio como ponte para chegar à deusa das vitrines, a televisão. Rádio é, essencialmente, emoção - refratário, portanto, aos amores passageiros. E de flerte em flerte, o rádio vai ficando em segundo plano. Por consequência, o ouvinte acaba sem ídolos. O rádio sempre usou a força da imaginação para cativar e Ciro Cesar foi especialista nesse mister. Não era preciso muita imaginação, ou sensibilidade, para notar que estávamos diante de um profissional diferenciado. Dono de voz singular, era pessoa simples, chegava a ser tímido. Não gostava de elogios. Menos por considerá-los truquezinhos de oportunistas, que usam palavras fáceis para alcançar objetivos pessoais (e sabemos o quanto se usa esse expediente), mais pelo fato de não saber lidar com palavras elogiosas. Mas que isso não deixe a impressão de que Ciro tinha vergonha do fazia, pelo contrário. Ciro Cesar carregava nas veias o sangue que contamina para sempre os verdadeiros profissionais do rádio: o sangue que flui somente nas veias dos apaixonados pela profissão. Ciro foi assim. Até o fim.

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