segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Mesmo com forte concorrência, transmissões esportivas do rádio seguem ao lado do torcedor

por Thiago Sagardoy
do portal Vírgula


Em tempos de máxima instantaneidade e interatividade nos meios de comunicação, que cada vez mais contam com recursos atraentes, um veículo, em especial, segue atravessando o tempo sem sofrer qualquer ação que altere seu exercício de sempre em jornadas esportivas: o rádio, em curto prazo, não deve deixar de estar ao lado do torcedor que gosta de futebol.

Um estudo feito pela estudante Renata Cristina, de Arcos, em Minas Gerais, para a conclusão de curso em comunicação social, evidencia – além do propósito inicial da monografia, que é a análise do discurso de transmissões da Rádio Itatiaia de jogos entre Cruzeiro e Atlético – que o brasileiro é apegado ao veículo (assim como a idealizadora da pesquisa), principalmente, quando existe futebol envolvido nas vozes que as ondas propagam pelo ar.

“Sempre fui apaixonada por futebol e rádio, e queria pesquisar algo que unisse as duas coisas. O interessante é que a narrativa das transmissões esportivas do rádio parece um idioma particular, e é esse idioma, somado aos outros fatores que compõe as transmissões, que atrai o torcedor ainda hoje e garante a audiência das jornadas esportivas”, explica Renata.

No processo de realização de sua monografia, Renata percebeu que a linguagem do rádio usada na cobertura esportiva praticamente não mudou ao longo dos anos. E, segundo suas conclusões, nem deve mudar.

“O que aconteceu e deve continuar acontecendo é que cada locutor vai adaptar o estilo inicial do rádio, de narração veloz, à sua necessidade de criar uma identidade, com gírias, bordões e vinhetas próprias”, mostra a autora da monografia que, em seu centro, demonstra que elementos da língua portuguesa, como as figuras de linguagem, são fundamentais no processo de interação com veículo com o seu público.

“Durante toda a transmissão, narradores chamam os ouvintes para ‘junto’ de si, ao dizer ‘atenção, torcedor’, ‘olha lá, lance de perigo’, ‘alô, torcida’ ou expressões nesse sentido”, exemplifica.

Com os novos moldes de meios de comunicação, muitos pensam que o rádio pode ter vida curta junto à preferência dos torcedores. Contudo, Renata salienta um aspecto importantíssimo, que contraria o fim súbito das transmissões esportivas das emissoras: a dinamicidade do evento esportivo e a mobilidade de um aparelho transmissor.

“No caminho para o estádio, por exemplo, o torcedor pode ouvir as informações do jogo, escalações das equipes, entrevistas com os jogadores, as opiniões dos comentaristas e ainda receber informações sobre as condições do trânsito e da venda de ingressos. Quem vê pela TV ou vai ao estádio pode, também, estar ouvindo a transmissão via rádio: é tradicional”, afirma Renata, que, assumidamente ‘apaixonada pelo radialismo’, prefere crer que não existe concorrência entre as mídias, mas sim, que elas se complementam – “as transmissões online estão aí para provar”, finaliza.

Um comentário:

Marco Ribeiro disse...

Só tenho a dizer à cara colega que o Rádio não se resume apenas ao futebol. Parece ter deixado de lado o rigor científico de lado para deixar aflorar sua paixão pela bendita bola e fazer uma ode ao esporte. O Rádio é muito mais do que isso. Infelizmente a pesquisa dela parece não ter ido a fundo em questões como o fato de as transmissões esportivas sustentarem diversas emissoras de rádio pelo país afora porque atrai muitos anunciantes. Isso não influenciaria a forma de transmitir. Mas não dá para fazer uma análise muita aprofundada, uma vez que não se tem acesso à íntegra dessa pesquisa.