sábado, 14 de novembro de 2009

Sindicato dos radialistas gaúchos ganha processo contra Rádio Gaúcha e abre precedente

Essa sexta-feira, 13 de outubro, não foi de azar para o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Radiodifusão e Televisão do Rio Grande do Sul. Nesta data saiu a decisão do Tribunal Regional do Trabalho sobre o processo que a instituição abriu contra a Rádio Gaúcha, pelo fato de a emissora retransmitir, integralmente, o conteúdo do AM na sua frequência FM. Com o parecer, os funcionários da emissora devem receber o dobro por trabalharem, teoricamente, em duas rádios diferentes ao mesmo tempo (os CNPJs são diferentes). A causa tem o valor de R$ 30 mil.

A decisão foi em prmeira instância e ainda cabe recurso por parte da emissora do sul. Mas, em seu site, o sindicato já afirma que vai abrir outros processos: "A partir desta primeira vitória vamos também entrar com idêntica ação contra a Rádio Guaíba, a Rede Pampa e a Rádio Bandeirantes".

Vale lembrar que esse modus operandi - de transmitir o AM no FM - vem de 1996, quando a CBN passou a ocupar os 90,5 Mhz, uma frequência que pertence às Organizações Globo e era da Rádio X. Desde então, diversas outras redes de rádio, Brasil afora, adotaram o mesmo procedimento e simplesmente duplicaram sua transmissão nessa outra faixa, até então apenas com rádios musicais. Como o AM sendo esquecido pela maioria dos fabricantes de eletrônicos (principalmente os portáteis), essa é uma forma de não perder tanta audiência e ainda transmitir um som mais limpo para o ouvinte.

A decisão do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul é importante e abre um precedente para o resto do país. Cabe esperar e ver se outros sindicatos terão a mesma coragem dos colegas gaúchos ou se vão deixar por isso mesmo. E vamos esperar também para ver se as emissoras já vão tomar alguma atitude, antes que o processo bata à sua porta.

12 comentários:

Anônimo disse...

Você esqueceu de dizer, caro Marcos, por conta da "dupla transmissão", algumas emissoras cobram o dobro pelo valor das inserções, alegando que a audiência dos programas é AM + FM. Até aí, tudo bem. Mas, sendo justo e seguindo o raciocínio lógico, os funcionários que põe as duas rádios no ar tem que ganhar em dobro, não é?

Sérgio disse...

Ótimo... assim quem sabe acaba com essa palhaçada de AM no FM.

Rodney Brocanelli disse...

Só espero que os amigos radialistas tenham a consciência de que estão acertando no atacado e errando no varejo. A decisão da Justiça pode ser boa para eles num primeiro momento, mas pode significar desemprego logo após. Caso sejam obrigadas a pagar mais, as equipes serão cada vez mais enxugadas, etc, etc e etc...

Marcelo Delfino disse...

Quero só ver se os pelegos do sindicato carioca entrarão com ações contra a CBN e a Tupi.

O que eu quero é que acabe essa palhaçada de rádio AM+FM.

FELIPE disse...

O RODNEY TEM PAPO DE DONO DE RÁDIO.

ISSO É MAU PRA CATEGORIA DE RADIALISTAS!

A CONVERGENCIA DO AM PARA O FM É ESTRANHO AO MEU VER, MAS NÃO CHEGA A SER UMA IDÉIA A SE DESCARTAR TOTALMENTE.

O QUE NÃO PODEMOS DEIXAR ACONTECER É O ASSASSINATO DO AM.
ISSO QUE NÃO PODE.
A MORTE DO AM NÃO PODE SER ACEITA.

Rodney Brocanelli disse...

Felipe, pode ser papo de dono de rádio, mas é um contraponto que deve ser dito. Bem que eu gostaria de escrever só o que as pessoas querem ouvir, mas eu não sou assim. Desculpe.

Anderson Diniz Bernardo disse...

A decisão em primeira instância não significa a vitória dos funcionários, mas o precedente pode mexer muito com a confortável estrutura dessas emissoras que ajudam a enfraquecer o AM enquanto faturam em FM com custo zero na produção de conteúdo.

Vale especular (e perguntar): já pensou se a CBN de São Paulo também tivesse que pagar o dobro dos salários? Será que teria que pagar a diferença desde 1996, quando passou a repetir a programação dos 780 kHz em 90,5 MHz? E mais: será que alguém teria a coragem de provocar um prejuízo desse porte às Organizações Globo?

Um "tranco" no bolso desse pessoal poderia deixar o negócio menos atraente, acabando com a aemização do FM. O problema é que eles poderiam outras formas de atenuar esse "tranco", como manter suas emissoras em FM e arrendar as frequências em AM para algum apóstolo/missionário. É uma alternativa meio catastrófica, mas alguém acha impossível?

Luis Nunez disse...

Não sou dono de rádio, nem sindicalista, muito menos radialista, apenas ouvinte e na minha opinião a transmissão do AM em FM faz com que alguem ganha com isso: O ouvinte. Hoje em dia, IPOD, celular, até nos rádios dos automóveis, a recepção de AM é ruim ou nula. Então tendo a transmissão no FM, muitos podem acompanhar seus programas, com qualidade melhor. Vide o caso recente do apagão onde mesmo emissoras que não constumam fazer rede com FM fizeram (no caso de SP Jovem Pan e Eldorado).
Para o radialista não muda nada, ele não fala em dois microfones, não tem dupla jornada pelo fato de ir ao ar pelo FM. Ou o sindicato vai querer triplicar o salário por causa da transmissão simultanea pela internet tambem? Se houvesse fechamento de radios com desemprego de funcionários para transmitir a mesma programação em tres, quatro frequencias poderia concordar, mas não é isso que acontece.

Marcos Lauro disse...

Oi, Luis. Quase concordo com você... parei de concordar no segundo parágrafo.

O fato é que algumas emissoras cobram a mais do anunciante pelo fato de seu spot ir para o ar em duas frequências. Nâo estou dizendo que é o caso da Gaucha, alvo do processo, mas é algo que acontece, sim. Se a rádio acha justo receber mais por isso (afinal, há os custos operacionais e de manutenção de um parque de transmissão a mais, certo?), deve pagar mais também para seus profissionais. E essa cobrança não acontece no streaming, que você citou.

Para o radialsta muda sim! Nâo para o que está trabalhando, mas para o que não está. Ali naquela frequência, que está duplicando fielmente algo que já vai para o ar em outra, poderia haver outra rádio, em que ele estivesse empregado. Pode até ficar no campo da possibilidade, mas ali tem uma outogra que seria ocupada de qualquer maneira.

Bora continuar o debate.

Anônimo disse...

Caro Felipe, você não percebeu que duplicar a programação é um jeito mais rápido de acabar com o AM. O rádio AM como mero repetidor já é a morte deste tipo de faixa. Além do mais é possível se atingir outras audiências através da web, como estamos todos carecas de saber. Se as empresas não podem manter duas emissoras de rádio, que devolvem a concessão para o poder público. Quem sabe assim o governo transforme estas estações em emissoras públicas, conduzidas por pessoas ou entidades com vocação para o rádio? Já que os donos de rádios não vão devolver mesmo, então faça a coisa direito. Uma rádio AM. Outra, FM. Se não dá lucro, a culpa não é minha, não é sua, não é de ouvinte algum, não é de quem trabalha. A culpa é deles que só pensam no lucro imediato, não investem em material humano bem preparado, em equipamentos e estrutura. A responsabilidade também é da maioria das agências de publicidade, que desprezam solenemente o rádio e não têm visão suficiente para gerir um projeto relevante a longo prazo. Será que um Sistema Globo de Rádio não tem condições de fazer uma emissora AM, ainda que seja para um público específico? Tem sim. Antes de começar a transmitir em FM, havia um projeto no Sistema Globo de Rádio de transformar a CBN AM numa espécie de Rádio Rural. Já estava tudo certo, parecia ser um puta projeto, comandado por gente competentíssima. Porém, tem sempre um porém, acharam melhor enterrar o projeto - provavelmente achando que não ia dar lucro. Aproveitaram que a Rádio X não estava dando audiência, nem retorno e "linkaram" a CBN AM na FM. E assim até hoje continua. Ao menos poderiam criar uma CBN AM com uma programação diferente da FM. No AM, uma rádio voltada para São Paulo. No FM, a programação em rede. Mas preferiram "transmissão unificada". Nem no futebol, quando tem dois jogos importantes, eles separam as emissoras. Uma Pena. Pena mesmo.

Marco Ribeiro

Mauro Mendes Urban disse...

E as redes nacionais? Não é o mesmo caso ou até pior? O locutor ganha para trabalhar em uma rádio de certa cidade e acaba falando para todo o Brasil.

Não sei como isso funciona sou só ouvinte.

Marcos Lauro disse...

Olá, Mauro. Boa pergunta.

Mas há uma diferença sim. O cara que trabalha na Jovem Pan, aqui na cabeça de rede, não é contratado da JP SP, mas sim da Rede/Grupo JP, onde já é prevista a transmissão em nível nacional.

Mas é uma boa discussão, sim.