quinta-feira, 18 de junho de 2009

Cai a exigência do diploma de jornalismo - 2

DIPLOMA DESNECESSÁRIO
Uma decisão danosa

Por Alberto Dines em 18/6/2009

Difícil avaliar o que é mais danoso: a crítica do presidente Lula à imprensa por conta das revelações sobre o comportamento do senador José Sarney (PMDB-AP) ou a decisão do Supremo Tribunal de eliminar a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. São casos diferentes, porém igualmente prejudiciais à fluência do processo informativo. E exibem a mesma tendência para o sofisma, a ilusão da lógica.

Fiquemos com a decisão do STF. Embora irreversível, não é necessariamente a mais correta, nem a mais eficaz. A maioria do plenário seguiu o voto do presidente da Corte, Gilmar Mendes, relator do processo, que se aferrou à velha alegação de que a obrigatoriedade do diploma de jornalista fere a isonomia e a liberdade de expressão garantida pela Constituição.

Para derrubar esta argumentação basta um pequeno exercício estatístico: na quarta-feira em que a decisão foi tomada, nas edições dos três jornalões, dos 29 artigos regulares e assinados, apenas 18 eram de autoria de jornalistas profissionais, os 11 restantes eram de autoria de não-jornalistas. Esta proporção 60% a 40% é bastante razoável e revela que o sistema vigente de obrigatoriedade do diploma de jornalismo não discrimina colaboradores oriundos de outras profissões.

No seu relatório, o ministro Gilmar Mendes também tenta contestar a afirmação de que profissionais formados em jornalismo comportam-se de forma mais responsável e menos abusiva. Data vênia, o ministro-presidente da Suprema Corte está redondamente enganado: nas escolas de jornalismo os futuros profissionais são treinados por professores de ética e legislação e sabem perfeitamente até onde podem ir.

É por isso que na Europa e Estados Unidos onde não existe a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, são as empresas jornalisticas que preferem os profissionais formados em jornalismo, justamente para não correrem o risco de serem processadas e punidas com pesadas indenizações em ações por danos morais.

O STF errou tanto no caso da derrubada total da Lei de Imprensa como no caso do diploma. E foi induzido pela mesma miopia.

2 comentários:

Victor disse...

Acabei de me formar em jornalismo, e de presente recebo do Tribunal Superior Federal a triste notícia que de nada mais vale meu diploma. Se a profissão jornalismo se compara é semelhante a gastronomia, onde não precisa ter diploma para cozinhar, então posso perfeitamente entrar em uma redação, ou em um studio de radio e falar as mais insolentes asneiras e tudo não passará de uma simples opinião pessoal, já que a lei me defende em relação a tal "liberdade de imprensa". Contudo esse é o meu Brasil! De pensamento retrógado e anti-quado.
Obrigado Tribunal Superior Federal pelo canudo sem validade e pelas vestes do descaso. É isso que mereço de presente pelo fato de ter trilhando o caminho do conhecimento, talvez se eu fosse um marginal ganharia um bom emprego naquela assembléia...

Rodrigo disse...

Muito vazia a argumentação deste artigo e desprovida de lógica básica. O "exercício estatístico" proposto é justamente um argumento para que a obrigatoriedade do diploma seja derrubada. Escrever é como um dom artístico que precisa ser trabalhado para que se chegue à excelência. E isso, assim como a música, por exemplo, não precisa de curso superior. Mesmo com o diploma na mão temos, atualmente, péssímo jornalismo feito em fundo de quintal, e temos o "funk-baixaria". Temos o jornalismo primoroso e temos boa música. Existem excelentes e péssimos para todos os gostos. Até o "funk-baixaria" (segundo meu julgamento) tem seu público. O jornalismo pobre, ilógico e tendencioso também encontra os seus.

Jornalistas não têm condições de conhecer todas as áreas e falar corretamente, de modo convincente, sobre assuntos de determinados nichos. Por exemplo, http://www.cic.unb.br/docentes/pedro/sd.php. Leia alguns artigos do prof. Pedro Resende e me digam se não têm qualidade de virar matéria de capa de revistas de grande circulação. Não é jornalista.

"...nas escolas de jornalismo os futuros profissionais são treinados por professores de ética e legislação e sabem perfeitamente até onde podem ir". Isso é algo escrito por um jornalista? Por favor, defina-me "perfeitamente". Aliás, não defina, procure no dicionário.

Europa e Estados Unidos têm grande maioria de profissionais jornalistas formados em jornalismo, e isso é regulado pelo mercado e qualidade dos profissionais, já que o diploma não é obrigatório. Como se explica que aqui, onde até dias atrás o canudo era obrigatório, temos essa proporção de 60% a 40%?