sexta-feira, 9 de maio de 2008

Radar Cultura precisa sair da fase beta

Vinte semanas e 4 dias depois, o Radar Cultura parece viver um período de estagnação. Quando foi lançado, em dezembro, seu principal atrativo era a possibilidade de interferência dos ouvintes na programação por meio de um site na Internet. Os primeiros dias (e até meses) foram bem agitados, com uma resposta bem positiva dos ouvintes/internautas, o que é bem característico de novidades. O pico de participações se deu durante a Campus Party, em fevereiro. Coincidência ou não, vários dos profissionais que desenvolveram o projeto do Radar Cultura tiveram participação ativa no evento, como palestrantes ou no apoio à organização.

Pouco antes, os frequentadores habituais apareciam com idéias de melhorias, tanto na interface web, como na oferta do menu musical. A resposta era quase que padronizada: novidades seriam introduzidas para depois da Campus Party.

É bem verdade que alguns pequenos avanços aconteceram, como a ampliação das opções musicais para a escolha dos internautas. Com isso, a programação que vai ao ar já não privlegia tanto os medalhões. Só tenho notado uma presença constante de canções interpretadas por Elizeth Cardoso. Prova de que ela tem um fã-clube ativo. Ainda no campo das novidades, uma sala de bate-papo foi implantada. Escrevo este texto numa sexta à noite, por volta das 21h20 e não há mais ninguém além de mim por lá.

Alguns pontos da projeto inicial do Radar Cultura ainda não foram colocados em prática. A questão dos Podcasts produzidos pelos internautas é o principal deles. Cito um exemplo pessoal. Produzi dois podcasts musicais, sendo que um deles teve ampla votação do público, condição sine qua non para que o mesmo possa ir ao ar. Até agora não sei se ele foi veiculado ou não. Numa das vezes que eu cobrei sobre essa questão, a resposta que tive era a de que faltava uma solução técnica. Ora, isso não foi pensado antes?

E tem mais: mesmo se meu podcast fosse veículado, eu não teria como saber, uma vez que não há um aviso por parte da equipe, seja ele manual ou eletrônico. Os mentores do Radar talvez se esqueçam de que não dá para viver as 24 horas do dia tanto on-line ou como o ouvido colado no rádio. Um aviso seria muito bem vindo para se programar e avisar outras pessoas. Isso vale também para os playlists, que são mais frequentes na programação.

O programa de rádio é decepcionante. As músicas são tocadas, anunicadas e desanunciadas pelos locutores do horário. Algumas mensagens postadas no site são lidas. Mas tudo isso ocorre sem ritmo, muito menos vibração. A Rádio Cultura ainda não achou um tom certo para a atração.

O Radar Cultura precisa sair urgentemente da fase Beta. No ar e na web.

10 comentários:

Marco Ribeiro disse...

Se quiser sobreviver, o Radar Cultura precisa urgentemente ser veiculado na FM.

Anônimo disse...

Concordo. Acho que a programação da Cultura seria um diferencial em termos de Musica Brasileira em FM. Uma concorrência de peso pra Nova Brasil que é a única do segmento MPB, mas que toca um repertório que passa longe de ser o ideal. Tenho saudades da extinta Musical FM, até hoje uma experiência interessante e unica...

WAGNER _ MAUÁ

Cine Base disse...

Wagner, a Musical não foi uma experiência única. Ao longo dos anos, cá e lá apareceram emissoras voltadas para a MPB mais interessantes do que ela. Não nos esqueçamos da USP FM, que há mais 30 anos tem a Música Brasileira como prato principal. E também a Educativa AM e FM de Curitiba, a Itapema FM de Porto Alegre, a extinta Nacional FM do Rio, a atual Roquete Pinto FM, Nacional AM, MPB FM e MEC AM - essas quatro também do Rio, a Nacional FM, Câmara FM, Senado FM, Verde Oliva FM - todas de Brasília - a Rádio Metodista Online, do ABC Paulista, e a Inconfidência FM de Belo Horizonte.
Como vê, não faltam boas opções que são melhores do que o Nova Brasil FM.
No passado, a Cultura FM abria espaço para a música brasileira de todos os gêneros. Mas a diretoria atual estupidamente determinou que ela deveria somente tocar música erudita, como se ela fosse limitada apenas às sinfonias, concertos e óperas. Afirmo que em nada o Radar Cultura atrapalharia as demais atrações da casa. Pelo contrário, o Radar só ajudaria a chamar a atenção para os demais programas da emissora.

Anônimo disse...

Realmente é verdade... esqueci da USP FM. Que mancada!! Mas o fato é que todo mundo fala que a MPB é muito rica (e é!) e ninguém com bala na agulha (grupo Bandeirantes, que sai por ai comprando e arrendando) e o Sistema Globo (poderia resuscitar a Globo FM)investe no segmento e a Nova Brasil fica lá quase absoluta (ou absoluta)com uma programação muito atual pro meu gosto. Com relação a Rádio Metodista, sou aluno de lá e admiro o trabalho do pessoal, mas todos nós sabemos que Internet ainda é pra poucos no Brasil, ao contrário da MPB que é pra todos. È preciso ousadia.

WAGNER - MAUÀ

Marcos Lauro disse...

Esses dias estava conversando com um professor que é estudioso dos fenômenos da internet e chegamos a uma conclusão: Blogueiros (famosos ou não) foram convidados para a estréia do projeto. A Cultura acreditou que eles seriam entusiastas do Radar e colocariam em suas páginas, que somam milhões de acessos por dia, o link para o site, com comentários e incentivos ao clique. Mas isso não aconteceu como o "combinado". Na primeira semana, houve uma certa repercussão, desejos de "boa sorte" e tal... depois, os blogueiros (e essa é a impressão que se tem) passaram a considerar o Radar como concorrente, já que lá há mais espaço para interatividade do que seus blogs. Os internautas poderiam trocar suas páginas pelos comentários e playlists do Radar. Resultado: Não tocaram mais no assunto. Ou você conhece algum outro blog, além desse que está lendo agora, que fale sobre o Radar Cultura?

Anônimo disse...

Ola! Rodney
Concordo a meio Termo e discordo
de certos que li postado no Blog
ouço a radio Cultura desde l972
a linha da Fundação Padre Anchieta
ao meu ver sempre pela boa musica
Brasileira, onde voçê fica sabendo
do interprete,titulo, e compositor
propaganda zero e assim por diante,
teve na emissora que assiduamente
em meus ouvidos, como Gramofone, Mu
sicalidade, todos os Sons e fim de
Noite, foi por longos anos.
Mas já a Usp a 105Fm por pouco tempo, por parece que pendeu para o
lado dos evangélicos.
Agora eu tive dois plalist, fui avisado sim por meios de mails.
Quanto as musicas desanunciadas o
pessoal vota na hora da programação
sempre haverá erros.
Não era bem isto que queria dizer
é só passar a régua, fica o dito
po não dito
Aparecido

Marco Ribeiro disse...

Disacordo, Wagner, a internet não é pra poucos. Tá duvidando? Então vem aqui na quebrada e dá uma olhada numa lan house e vê quanta gente usa os PCs ao longo do dia. Gente como eu que nem tem como comprar um computador em 24 vezes nas Casas Bahia e fica acessando de lá mesmo. No Nordeste então, viiiiichi. Hoje em dia, qual é o adolescente, o jovem, o adulto ou até mesmo o velhinho que quer ficar "por fora" da internê? Tirando o Marcos Lauro, nenhum internauta quer ficar fora do Orkut, não é?

Anônimo disse...

Fala Marcos

Cara, eu também não sou adepto de Orkut ou msn... digo, não fazem a menor diferença na minha vida ou eu ainda não achei uma utilidade prática pra eles...

Falando sobre web rádios, eu falei que internet ainda é pra poucos porque a audiência dessas rádios fica limitada a quem ta ligado. Lembro que quando a Globo FM saiu do dial pra net choveu reclamação e sei que essa decisão desagradou muitos ouvintes porque claramente foi uma estratégia do Sistema Globo com a CBN pra barrar a chegada isolada da Band news em FM. No meu caso, realmente eu fiquei orfão da Scalla. A Net ainda não tomou o lugar do velho rádio portátil, do walk man ou dos mp3, e dos celulares com radio.

Abraços.
WAGNER _ MAUÀ

Marco Ribeiro disse...

Não tomou mas vai tomar. No dia em que você puder ouvir qualquer emissora de rádio ou podcast diretamente da internet pelo seu celular - e de graça -, a coisa vai mudar. E espero que assim seja.

Anônimo disse...

Ai, sim... e tomara que isso realmente não esteja longe de acontecer...

Parabéns pelo blog e pela chance que temos pra debater em alto nivel sobre esse veículo fascinante que é o rádio. Sou um formando em Radio e TV e procuro sempre estar ligado no que acontece e o Radio Base cumpre bem seu papel de informar e esclarecer.

WAGNER - MAUA