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Não atire! Sou apenas o DJ!

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Antes do texto, uma nota explicativa: No dia 11/3, meu outro blog, o Futuro do Jornalismo, completou 2 anos no ar. Para comemorar, decidimos (os outros membros do blog e eu) publicar somente textos de convidados na data. Como tivemos um retorno muito bom, tanto em quantidade quanto em qualidade, um dia seria pouco e os convidados acabaram tomando conta do blog por praticamente uma semana.

Fiquei muito honrado com os textos e separei esse para fechar a semana com chave de ouro. Um artigo inédito de Roberto Maia sobre o Murray Kaufman e a parca história sobre o rádio brasileiro. Como tem tudo a ver com a Rádio Base, que é citada, publico aqui também. Boa leitura.
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* Por Roberto Maia

A palavra DJ, no mundo moderno, se tornou sinônimo de superstar, mas sua humilde origem, nas condições mais precárias das pequenas emissoras ao redor do mundo, ficou completamente soterrada pelo glamour das pistas nas quais os aclamados djs modernos “tocam” suas seleções .

Em outros países, onde a memória é mais civilizada, sites, discos, livros e outras fontes celebram a história destes que foram e serão uma fonte inesgotável de revelações, uma simples companhia ou uma grande polêmica.

Vou citar alguns nomes do inicio da era “FM” dos anos 80, só por referência, mas veja se é fácil conseguir informações históricas e mais consistentes sobre eles: César Rosa, Serginho Leite, Paulinho Leite (o velho Milk), Beto Rivera, Tavinho Ceschi, Rony Magrini e por aí afora. Não falo de pessoas que gostam de rádio, pois é obvio que estas saberão mais coisas destes grandes profissionais; falo sim da história da rádio brasileira que parece não existir de forma oficial.

Por isso cito o dj Americano de Murray Kaufman (1922 –1982), mais conhecido como Murray the K, que começou nos anos 50 e teve seu pico de fama na década de 60 , quando ficou conhecido como o quinto Beatle, por desenvolver uma grande amizade com o quarteto britânico que lhe concedia entrevistas exclusivas . Quando os Beatles foram à Nova York, em fevereiro de 1964, Murray foi o primeiro DJ a dar boas vindas àquela “nova” banda que já tinha ouvido falar dele em Londres. Pessoas contaram aos Beatles do fantástico estilo de Murray e seu fabuloso programa musical. O resultado foi que este DJ transmitiu seu programa do mesmo hotel em que o grupo estava hospedado e ainda acompanhou a banda pelo país, ficando no mesmo quarto que George Harrison em Miami, este quarto serviu de cabine oficial de transmissão.

Murray inovou no formato para FM quando trouxe artistas polêmicos em entrevistas de longa duração, nas quais não apresentava só a música que era o hit dos artistas, mas todas as variantes dos repertórios dos mesmos . Foi um dos primeiros a dar um longo espaço a nomes como Bob Dylan e toda aquela geração que fazia o chamado folk de protesto.

Ironicamente,apesar de seu estilo e fama, a emissora WOR-FM, no final dos anos 60, queria mais de Murray e o obrigou a seguir um “playlist” oficial; ele, obviamente, se recusou, mas o resultado foi um ataque do coração devido ao stress da situação; daí em diante sua carreira prosseguiu , mais amena e menos polemica, em várias rádios por todos Estados Unidos e também no Canadá.

Murray morreu de câncer em 1982 aos 60 anos.:

Bem, “causos” como este que fazem falta na história da rádio brasileira, salvo por intermédio de diletantes e adoradores que guardam fitas e mantêm seus sites as duras penas (Radio Base por exemplo), muito pouco se tem de referência e reverência.

É hora de fazer algo, antes que o “último DJ de rádio” leve um tiro de misericórdia!

* Roberto Maia foi diretor por 13 anos da finada e saudosa rádio Brasil 2000. Hoje, é um dos proprietários da Agência Pode, empresa especializada na produção de podcasts e videocasts.

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