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Por que chora Salomão

Bom dia, brava gente!!!

Como de costume, abro meus olhos, ligo meu rádio de cabeceira e faço uma checagem básica nas rádios paulistanas. Nas FMs, a alegria contagiante, nem sempre sincera, das várias programações musicais está a todo vapor. Fico sabendo pela Jovem Pan que hoje é comemorado os 60 anos da libertação dos prisioneiros do campo de extermínio de Auschwitz, no final da Segunda Grande Guerra.

Pouca atenção é dada a esta data aparentemente. No entanto, uma data como esta não poderia passar despercebida por Salomão Schartzmann, apresentador do programa “Diário da Manhã”, da Cultura FM, de São Paulo. Salomão resolve entrevistar um amigo sobrevivente do Holocausto judeu. O entrevistado mora hoje no Brasil, chegou aqui em 1953, como tantos outros estrangeiros vindos para cá em busca de uma vida melhor, fixou-se e estabeleceu-se sua vida em Brasília. Ele começa a desfiar todo seu sofrimento naquele campo de extermínio nazista, conta detalhes sobre como fora retirado de lá pelos alemães em fuga e relata seu posterior resgate feito pelo exército soviético.

Queixo-me cá com meus botões. Afinal, é mais um depoimento de um sobrevivente igual à dezenas que já ouvi. Mas é curioso constatar quantos detalhes e por menores novos nos são revelados cada vez que ouvimos uma nova versão desta macabra história de terror que fora o Holocausto. Chama-me a atenção o fato de o entrevistado dizer que é “difícil acreditar em Deus, depois de passar por uma drama desses” e de quão bárbaros e bestiais eram os soldados e oficiais do 3º Reich.

Salomão começa a dizer ao interlocutor que lhe vem à memória a imagem de um dia de sua vida, em 1944, em que sua mãe – imigrante judia moradora em Niterói, Estado do Rio de Janeiro – chega à casa onde ambos moravam com uma carta na mão vinda da Europa, dando conta de que seus avôs maternos haviam sido mortos em um desses campos malditos. Algumas semanas depois, Salomão Schartzmann, um brasileirinho de 11 anos, menino alegre e normal como tantos outros, entristece ao saber que seus outros avós morreram também nas mesmas circunstâncias.

O poder do rádio faz com que a gente relembre conceitos inconscientemente adormecidos. O entrevistado expressou sua indignação com o príncipe britânico e sua fantasia de nazista, bem como a apresentação de um carro alegórico, que faz alusão aos nazistas, que deverá será apresentado no desfile de uma escola de samba carioca este ano. Me toquei da importância de nunca, jamais, esquecermos de triste página da História da Humanidade, tal qual fazem os alemães do novo milênio, que proíbem quaisquer manifestações de culto ao nazismo ou ao seu líder, que me recuso a escrever seu nome aqui. Afinal foi um massacre sem igual que dizimou dezenas de famílias judias, eslavas, polonesas, russas, ciganas e de outras etnias, sem a menor piedade. Só não massacrou negros ou africanos porque felizmente não havia nenhum deles na Europa Central de então.

Depois dessa avalanche de emoções e tristes recordações, era impossível o velho Salomão, aquele que um dia fora um menino alegre e tão comum de Niterói, encerrar o programa aos prantos, tentando desejar a mim e aos demais ouvintes um bom dia, coisa difícil para qualquer um de nós até depois de ouvir tudo aquilo.

Há de aparecer ainda algum espírito de porco dizendo que as lágrimas de Salomão foram premeditadas. Mandarei às favas esta “alma suína” que quiser manter esta teoria insincera. Está claro que foi um pranto espontâneo. Felizmente, no rádio de hoje, ainda é possível se perceber que há pessoas de verdade, fazendo rádio de verdade, com emoções de verdade, ainda que possam soar “piegas”, “de mau gosto” ou de qualquer outro adjetivo jocoso. Portanto, mesmo contrariando as regras do bom jornalismo radiofônico, Salomão Schartzmann tem todo o direito de expor suas emoções para falar de algo que nos diz respeito tão de perto. Chore, Salomão, chore!!! É um direito todo seu que aqui, neste humilde mas importante espaço no mundo virtual, defenderemos em nome do bom profissionalismo no Rádio.

Bom dia, brava gente!!!!
Marcos Ribeiro

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