Aos milhares de fãs do Hélio Ribeiro

Amigos da Rádio Base

Apenas para conhecimento de todos, também gostaria de esclarecer alguns pontos sobre a carreira do Hélio Ribeiro e sua última passagem pelo rádio.

Meu nome é Pedro Villela, moro atualmente na cidade do Recife, Pernambuco. Fui coordenador do programa do Hélio Ribeiro na Rádio Bandeirantes, depois fui levado por ela para trabalhar na Rádio Capital. Ainda na Capital, tivemos uma briga muito feia e a gente nunca mais se falou, mesmo trabalhando na mesma emissora. Hélio tinha um temperamento muito forte, era uma pessoa difícil de se entender. Somente quem o conhecia mais de perto sabia compreende-lo. Eu era uma dessas pessoas, até aqule dia!

Tempos depois o Hélio saiu da Rádio Capital e foi morar nos Estados Unidos. Um ano depois, eu estava trabalhando na Rádio Globo de São Paulo como gerente de programação e o Hélio estava no Brasil para visitar seus parentes. Me lembro muito bem, era a semana dedicada ao rádio e o Professor Heródoto Barbeiro o convidou para participar do Jornal da Excelsior para falar sobre o Rádio.

Eu estava na minha sala, e de repente senti um barulho de vozes e passos pelos corredores. Quando abri a porta, o corredor das rádios Globo AM, Globo FM e Excelsior estavam tomados de gente. Todos os funcionários estavam fora de suas salas. Perguntei o que estava acontecendo e fui informado que o Hélio Ribeiro estava no estúdio e daria uma entrevista para o Heródoto.

Como a gente não se falava, resolvi dar meia volta e ficar na minha sala. Liguei o rádio na Excelsior e fiquei ouvindo a entrevista. Ele como sempre deu um show! Terminou o jornal e eu estava trabalhando na minha sala quando de repente entra na minha sala, sabe quem, sabe quem? Ele mesmo! Hélio Ribeiro, em carne e osso, na minha frente.

Tomei um susto e ele foi logo dizendo com aquele jeitão meio grosseiro: "Que coisa, não seu Pedro? Quem diria que um dia eu fosse te ver do outro lado da mesa". Claro que eu dei o troco, né?

Eu disse:"Pois é né Hélio, pra você ver como as coisas mudam". Ele: "Bom eu não estou aqui pra discutir com você, o que passou, passou. Quero saber se você não quer me contratar como correspondente da Rádio Globo nos Estados Unidos." Eu disse: "Você é muito caro, não tenho verba pra te contratar". "Tá aqui meu cartão com meus telefones, podemos conversar...”, respondeu-me. Me apertou a mão, virou as costas e foi embora.

Meses depois, o Eli Correa pediu demissão para ir para a Rádio Record. Eli ocupava dois horários na programação da Rádio Globo. O que fazer? Para o horário da manhã coloquei o Gilberto Barros (O Leão), que na época já liderava as tardes da Globo, mas eu não tinha ninguém para preencher o horário da tarde. Talvez pareça loucura, mas um dia,dormindo, sonhei com o Hélio Ribeiro e ele me pedia pra eu contratá-lo para Rádio Globo.

Não havia nenhum nome disponível no mercado que pudesse competir com o Eli na Record. Então, foi aí que me lembrei que o Hélio havia deixado o cartão dele comigo e seus telefones. Cheguei na Rádio e fui direto para a sala do Cesar Garcia e sugeri o nome do Hélio O Cesar me perguntou se eu acreditava na volta do Hélio. Eu disse que tentaria fazer um programa mais popular, não popularesco, mas um programa com a "cara" da Rádio Globo. Eu sabia que não conseguiria.

O Cesar me autorizou a fazer o contato com o Hélio. Ele, de cara já mandou um valor que inviabilizava qualquer tentativa de contratá-lo. Passei a informação para o Cesar e ele me disse pra esquecer do Hélio. Voltei a ligar para o Hélio para explicar que não seria possível, aí ele caiu na real e pediu para conversar com Cesar. Depois de várias ligações, o Cesar e o Hélio chegaram num acordo. Faltava ainda o aval do Plínio Marchini, que na época acumulava a Superintendência do Sistema Globo de Rádio.

Pra encurtar, Hélio, Cesar e Plínio acertaram todos os detalhes para a contratação do Hélio e ele voltou para o Brasil. Quando a notícia se espalhou foi um auê. A volta do Hélio Ribeiro ganhou espaço em todos os jornais, alguns até deram destaque de primeira página. O telefone não parava de tocar. Jornalistas, ouvintes, comunicadores de outras emissoras, locutores do interior, pessoas de televisão...Todos querendo saber sobre a volta do Hélio Ribeiro.

A chamada da Rádio foi escrita por mim, acho que foi gravada na voz de Jorge Helal, uma das mais lindas vozes que o rádio tem. Foi curta e grossa!

Loc: QUEM OUVIU, NUNCA ESQUECEU!
QUEM OUVIR, VAI SE APAIXONAR...
VEM AÍ...
A VOZ.!

Téc: Trecho do programa e tradução

LOC: HÉLIO RIBEIRO, E O PODER DA MENSAGEM
ESTRÉIA, DIA (Não me lembro) AO MEIO DIA, NOS 1.100 DA RÁDIO GLOBO!

Téc; Vinheta Fiu fiu da Globo.


Quando o Hélio chegou ao Brasil e me procurou na Globo para gente acertar detalhes do programa de estréia, a gente já havia esquecido da nossa briga. Hélio começou a trabalhar na minha sala juntamente com o Neco Villa Lobos, sobrinho do Hélio, um ótimo ator de televisão. Prá quem não sabe, Neco era o personagem, o Júnior, aquele menininho que fazia perguntas pro Hélio o tempo todo durante o programa, lembra?"Hélio, Hélio, fala isso de novo, vai" ou "Helio, Hélio, num tá meio esquisito isso?"
Quem não se lembra?

Tentei fazer a cabeça do Hélio, que ele deveria ser mais popular no ar, que a Globo falava para um público das classes B,C,D e E. Ele concordava com tudo! No dia da estréia foi uma loucura. A Rádio Globo parou pra ouvir o Hélio. Muita gente querendo entrar no estúdio que ele batizou de estúdio azul, que na verdade era cinza e horroroso todo cheio de cupim. Tudo o que eu havia discutido e combinado com ele sobre a linguagem que ele deveria usar para ser mais popular, foi por terra. No ar era o mesmo Hélio Ribeiro dos tempos da Tupi e Bandeirantes. Confesso a vocês que eu adorei! Se ele mudasse, não seria o Hélio Ribeiro.

O lado ruim
As matérias nos jornais, o assédio de pessoas na portaria, o nome do Hélio circulando o dia inteiro pelos corredores da Globo, todo mundo querendo ajudar, começou a incomodar algumas pessoas que antes eram o centro das atenções, paparicados pela diretoria. O líder de audiência da Globo no horário das 8h ao meio dia se sentia incomodado. Não fazia chamada para o programa do Hélio, não mencionava o nome dele de maneira nenhuma, além de entregar o programa atrasado para o Hélio, todos os dias.

Certa vez, entrei na sala dele e ele estava almoçando após o programa, aliás ele só almoçava na sala dele, sempre. Arroz e um frango assado. Logo que entrei percebi que o Hélio não estava bem. Ele colocava a mão na altura do estômago e apertava dando a perceber que ele sentia dores.

Passado alguns dias, ele me chamou na sala dele e me disse que precisaria se ausentar do programa por pelo menos um mês. Disse que teria que fazer uma cirurgia, mas que não era nada grave, que eu não deveria dizer nada pra ninguém, mas como, sem ele no ar as pessoas perceberiam a sua ausência. Daí surgiu a idéia da gente gravar vários programas para colocar no ar até que ele retornasse. E assim foi feito. Eu e o seu amigo e operador, o saudoso - João Antönio de Souza, Onofre Favotto e o Neco, começamos a editar e colocar no ar os programas gravados.

Quando o Hélio saiu do hospital e foi para a casa, ele me ligou e deu a idéia de montar um estúdio na casa dele para que o programa fosse feito de lá até que ele pudesse voltar para o estúdio da Rua das Palmeiras. Durante três semanas o programa foi apresentado da casa do Hélio. Quando ele se sentiu em condições de voltar, não avisou ninguém. Apareceu de repente no estúdio faltando uns 20 minutos para começar o programa, colocou o fone de ouvido, fez a seleção musical, separou as músicas para tradução e ficou aguardando o encerramento do programa do comunicador que o antecedia.

O comunicador que o antecedia estava fazendo um debate com o ex-governador - Luiz Antônio Fleury Filho, e o Hélio lá quietinho no outro estúdio esperando o programa terminar. Só o pessoal da produção viu quando ele entrou no estúdio. Cinco minutos e nada, dez minutos e nada. Com 15 minutos de atraso o comunicador encerrou o programa. O Hélio fez sinal para que o operador João Antônio de Souza abrisse o microfone, e disse:

Hélio: "São tantas horas e tantos minutos".
Abertura:
"A liberdade de um termina, quando começa a liberdade do outro, aliás pra quem eu mando a conta por esse atraso de 15 munutos do programa." Hein!? Ninguém sabe! Então tá bom! Boa Tarde!"

Téc: Soltou a abertura cantada com a locução da Dayse de Souza.

Mais um fato interessante aconteceu na seqüência, que só a gente que trabalhava na produção do programa teve a oportunidade de presenciar. O ex-governador que estava dando entrevista no programa anterior, ficou sabendo que o Hélio estava no estúdio ao lado e resolveu fazer uma média. Abriu a porta da técnica e perguntou se poderia cumprimentar o Hélio, que era fã dele, que não perdia um só programa dele na Bandeirantes e etc...

Entrei no estudio e falei com o Hélio. Ele me disse:"Eu sei que ele já está fazendo campanha, se ele pensa que vai entrar aqui só prá fazer média tá enganado. Manda ele entrar!" Fui até o Fleury e disse para ele entrar no estúdio. Através do vidro, deu pra gente ver que o Fleury abriu um sorriso de orelha a orelha e deu um abraço no Hélio mesmo com ele sentado. Estava terminando uma música. Quando o microfone abriu, o Hélio disse:

Hélio : "Microfone 3 aberto para identificação"
Fleury: Meu nome é Luiz Antônio Fleury Filho"

O que se ouvir na sequência foi uma rajada de perguntas tão contundentes que o Fleury pediu licença no ar, dizendo que teria que ir embora, pois se lembrou que tinha um outro compromisso inadiável. Imaginem o clima! Voltando ao assunto do comunicador líder de audiência, foi a gota d'água que faltava pra ele correr para a sala do Plínio Marquini (Diretor Superintendente) e pedir a cabeça do Hélio. Como o comunicador era o maior faturamento da casa, ele ganhou o round. O Hélio foi ao chão!

Para quem não sabia dos detalhes da ida e da permanência meteórica do Hélio pela Rádio Globo, foi assim que aconteceu. São tantas histórias que daria um livro. Quem sabe um dia! Me descupem os erros, estou no trabalho, ás 18h do dia 12 de fevereiro de 2004.

Pedro Villela
Radialista
Recife - PE


Sabe Pedro, quando recebi seu texto, pensei logo em enviar um email erguntando qual o nome desse cidadão que teria pedido da cabeça do Hélio Ribeiro. Como você me pareceu ser uma pessoa ética e sensata, imaginei que você fosse me responder algo do tipo: "deixa para lá, isso já foi há muito tempo". Mas pensando bem, eu parei e refleti: que adianta saber o nome desse sujeito? O importante é falar do Hélio Ribeiro, um dos maiores comunicadores que o Brasil já teve!!! Não sei, não quero saber quem foi, nem vou dar cartaz a pessoas mesquinhas, egoístas, rasteiras e de pensamento tacanho como esse tal comunicador que teria exigido que o Hélio saísse do ar, não é mesmo? Quem semeia vento, colhe tempestade, como diz o dito popular. Melhor deixar para lá e esquecer este cara.

De qualquer forma, Pedro, muito obrigado pelo seu depoimento. Tenho absoluta certeza de que seus fãs vão ficar felizes em ler o relato de quem conviveu com ele tão de perto e por saber o quão ético e talentoso ele realmente era.

Comentários

Jefferson Cezar disse…
Dá a entender que foi o Paulo Lopes
Contribuinte disse…
Que coisa intragável e sórdida: políticos. Nem o diabo assume a sua criação.
Guy Ecker disse…
ALÔ PEDRO VILELA...Parabéns pelo seu profissionalismo.
Só gostaria de fazer uma correção: ELI CORREA não foi pra RÁDIO RECORD e sim pra RÁDIO CAPITAL, pelas mãos do diretor artístico JOSÉ ROBERTO GAMA. No ano de 1994 eu visitei a emissora e ela estava reformando um estúdio para receber a produção do "PROGRAMA ELI CORREA". Isso quem me falou foi o próprio GAMA e o sonoplasta ONOFRE FAVOTO.
Não havia sentido nenhum ELI CORREA voltar pra RECORD, pois a mesma já estava nas mãos da IURD e o ELI sempre devoto de Nossa Senhora Aparecida. Não ía dar certo.

ABRAÇOS
AGNALDO CARMO