Pular para o conteúdo principal

O estado atual do nosso rádio - ou - Santa criatividade, Batman

Acredito que muita gente ache esse blog uma versão eletrônica do Jorge Kajuru. Sim, aquele Jornalista (com J maiúsculo) que parece que está sempre de mal com o mundo, reclamando de tudo e de todos. Um cricri (palavras do próprio). Afinal, aqui no blog, sempre damos nossas espetadas nos profissionais do rádio. Não é birra nem marra, apenas queremos uma programação melhor, criatividade... essas coisas meio fora de moda ultimamente.

Já escrevi nesse espaço a minha opinião sobre o rádio atual. Principalmente no FM, há uma crise de criatividade tremenda. Rádios se esforçam cada vez mais para ficarem parecidas com outras que já existem, seguindo um padrão cansado. No AM a criatividade não apanha tanto, mas as rádios jornalísticas também andam penando para saber o que o ouvinte quer. Ou seja, há muito coordenador/diretor/superintendente perdido por aí.

Prova disso é a história que recebi há alguns dias e que vou contar agora pra você, leitor da Rádio Base. Não vou citar nomes porque não vem ao caso. É uma história “genérica”, serve para ilustrar a nossa atual fase radiofônica. Aconteceu no final do morto-ainda-quente ano de 2007.

Era uma dinâmica de grupo para vaga de estágio em uma grande rede de rádios, com doze candidatos. Presentes dois profissionais de RH, responsáveis pela seleção, e dois profissionais da rede, do “alto escalão” da emissora.

Numa primeira fase, a apresentação. Ao invés daquela coisa chata de cada um ficar se apresentando, se gabando de ter feito isso ou aquilo, um ponto positivo. A apresentação teria de ser como se a pessoa estivesse no rádio, sendo entrevistada ou como entrevistador. Algo do tipo: “Boa tarde, estou aqui com fulano de tal, aluno de jornalismo de tal semestre, que vai nos contar um pouco sobre seu dia a dia...”. E todos os candidatos fizeram mais ou menos nesse padrão, que é o que estão acostumados a ouvir diariamente, certo? O entrevistador faz um rápido perfil de quem vai entrevistar ou a própria pessoa fala, também de forma rápida, o seu “currículo” (o que é mais difícil de acontecer, inclusive).

Foi só o último candidato acabar que um dos funcionários do “alto escalão” pediu a palavra. E com cara de poucos amigos foi falando com os candidatos como se já fossem seus funcionários. Para resumir, disse que não esperava ouvir o que ouviu. Disse que todos os candidatos repetiram o padrão e ele não queria isso. Ele quer estagiários que dêem idéias novas para a rádio e não que repitam o que já vai pro ar diariamente. Esperava, já na dinâmica, uma coisa nova, um suspiro de criatividade.

Agora, vejam só se eu posso saber de uma coisa dessas e não colocar aqui no blog. Quer dizer então que um diretor de uma rádio, que já deve ter no mínimo os seus vinte anos de profissão, quer que numa simples dinâmica de grupo aconteçam coisas criativas, inovadoras? Concordo com o profissional quando ele quer idéias novas. Todos nós queremos. Mas cobrar isso numa dinâmica de grupo, com candidatos a estagiário??? Não é pedir um pouquinho demais???

Também não estou dizendo que um estagiário não seja capaz de dar idéias novas, de contribuir de forma criativa com a empresa em que trabalha. Mas creio que o estado de nervosismo e a insegurança numa avaliação nem permita ficar inovando ou inventando na frente do avaliador. Isso ele vai fazer depois, já na sua área de atuação, conhecendo mais a empresa, sua chefia e outras pessoas que trabalham no mesmo local. Aí sim é possível cobrar com firmeza uma postura do estagiário. E se de repente ele estiver numa empresa conservadora, que não permita vôos muito altos, e sai plantando bananeira logo na dinâmica, seu primeiro contato com os futuros empregadores?

Mais uma vez digo que essa história resume bem o nosso atual estágio. Um “diretor” de uma emissora de rádio depende de candidatos a estagiário para inovar, criar e levar um conteúdo diferenciado para o seu ouvinte. A tal dinâmica não parou por aí, mas creio que só isso já basta para entendermos a quantas anda o nosso querido rádio e seus poderosos chefões.

Aos 12 candidatos: Relaxem. Ele devia estar num mau dia. Ou na profissão errada.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Difusora e Excelsior

Estava eu "fuçando" no Google sobre rádios e locutores quando encontrei esse blog interessante. Como já estou na faixa etária dos 50, relembro com muita saudade as Rádios Difusora e Excelsior. Aí eu pergunto: por onde andam as vozes, que me faziam suspirar, de Antonio Celso e Dárcio Arruda? Li semanas atrás sobre o saudoso Henrique Régis, outra voz maravilhosa!Portanto,se alguém souber sobre o paradeiro deles, me contem. A última vez que ouvi falar do Antonio Celso é que ele estava na Voz da América. Abraços!!! Vânia Amélia Dellapasi vdellapasi@yahoo.com.br ----------------------------- Cara Vânia, Dárcio Arruda é diretor de jornalismo e comanda um talk show diário na Rede TV Mais de Santo André. Não sei por onde andam os demais. Se alguém souber, mande um sinal de fumaça para cá. Um abraço, Vânia e continue na nossa sintonia.

Os Melôs da Rádio Mundial

Extraído da extinta comunidade do Big Boy no Orkut. Leia e comente: Já que o assunto é também a Rádio Mundial, que tal relembrarmos as "melôs" que esta rádio inventava (por que não dizer inovava)? Melô DO POPEYE - Frank Smith - Double Dutch Bus Melô DA PORRADA - Bachman Turner Overdrive - Hold Back The Water Melô DO BÊBADO - Bob James - Sign Of The Times Melô DA XOXOTA - Crown Heights Affair - Sure Shot Melô DA MAÇÃ - The Trammps - Zing Went The Strings Of My Heart Melô DO BANJO - Al Downing - I'll Be Holding On Melô DO PULADINHO - George McCrae - Rock Your Baby Melô DA ASA - Randy Brown - I'd Rather Hurt Myself Melô DO BOMBEIRO - Jim Diamond - I Should Have Known Better Melô DAS MENINAS - Debbie Jacobs - Hot Hot Melô DA MARCHA À RE - Gap Band - Oops Upside Your Head Melô DO TARZAN - Baltimora - Tarzan Boy Melô DA CONCEIÇÃO - Love De Luxe - Here Comes That Sound Melô DO BROWN - Tom Tom Club - Genius of Love Melô DA BANDINHA - Jimmy Ross - First True Love Af...

Vamos resgatar a Rádio Cultura da Belo Horizonte

Amigos da Rádio Base É uma vergonha o que está acontecendo com uma das emissoras mais tradicionais de Belo Horizonte. Desde que a Igreja Católica adquiriu a Rdio Cultura AM 830 KHz, a mesma esta passando por um verdadeiro sucateamento, com uma aparelhagem super ultrapassada, transmissores de péssima qualidade, fazendo com que a emissora fique mais fora do ar do que tudo. Numa época em que um canal de rádio custa muito caro a Igreja Católica deveria vendê-la e aplicar o seu dinheiro em finalidades sociais que a mesma tanto prega. A Cultura AM, que já foi a emissora dos jovens nos anos 70 e início dos 80, está sumindo do ar a passos largos. Por favor, salvem a Cultura AM. É um apelo da sociedade!!!! Elias Torrent Belo Horizonte - MG