quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

As rádios bolivianas de São Paulo

As reportagens sobre rádiodifusão clandestina que são veiculadas pela grande mídia caem em dois tipos de problemas. Ora são maniqueistas demais, ora são simpáticas em demasia. Nessa segunda categoria está o texto assinado por Rodrigo Bertolotto, publicado no UOL, sobre as rádios destinadas à comunidade boliviana que mora em São Paulo.

Esse tipo de emissora descrita na reportagem incorre em uma dupla infração ao Código Brasileiro de Telecomunicações. A primeira é o óbvio caráter ilegal das transmissões. Além disso, é proibida qualquer transmissão rádiofonica aqui no Brasil que não seja em língua portuguesa. Mesmo que um dia possa vir a acontecer a legalização, essas rádios não poderão ter programas falados em espanhol ou em idiomas locais.

Há algum tempo, a jornalista Laura Mattos, da Folha de S. Paulo, informou sobre o problema vivido por uma rádio educativa de Goías: ela tinha em sua grade de programação um programa de uma hora falado em Nheengatu, língua que oriunda do Tupi-Guarani. O escritório regional da Anatel tomou conhecimento do fato e acionou o Ministério das Telecomunicações. Seus burocratas tiverem um belo abacaxi para descascar: o Tupi-Guarani, idioma falado aqui pelos índios nativos, é uma língua estrangeira ou não?

O jornalista Bertolotto exagera quando diz que os integrantes da comunidade boliviana de São Paulo são vistos nas ruas apenas aos domingos. Isso porque ele não passa durante a semana pelos pontos de ônibus que ficam próximos ao prédio da Polícia Federal, em São Paulo.

Algo a se lamentar é o fato dessa reportagem estar uns 10 anos atrasada. Esse fenômeno das rádios bolivianas é comum desde a primeira metade da década de 90, quando a radiodifusão pirata passou a ganhar força no país com a absolvição do jornalista Léo Tomaz, processado por manter no ar a Rádio Reversão, na Vila Ré, zona leste de São Paulo.

As rádios piratas só entraram agora na pauta das redações de rádios, televisões, jornais e grandes portais após ser deflagrado o caos áereo no páis. As emissoras clandestinas foram responsabilizadas por colaborar, em parte, com a situação, graças a interferência do sinal emitido pelos transmissões (caseiros em sua grande maioria) na comunicação dos aeroportos e aeronaves, tornando mais difícil o processo de pousos e decolagens.

4 comentários:

José Ramos Coelho disse...

O problema não é o idioma que é falado, mas se eles tem autorização para operar ou não. O resto é detalhe como dizia um técnico da seleção aí.

Rodney Brocanelli disse...

Claro que não é detalhe, Zé, larga a mão de ser mal humorado. Se os caras forem pegos pela fiscalização estarão duplamente lascados.

Marcos Lauro disse...

E a única atitude da ANATEL é espalhar a campanha contra a pirataria com o áudio da reportagem da Rádio Bandeirantes com o Pastor Vidente. Só isso.

Anônimo disse...

pra seu informe, a radio que mais causa interferencias sao as transmissoras da cbn....
vc acredita nessa estoria que a midia vende pra voce?! quem 'e dono do ar?!
abraco
(desculpe, nao tem acento no teclado)