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Esse tal de sistema de recompensa

Hoje é dia de Equilíbrio na Folha de S. Paulo, caderno que nos traz as novidades do mundo do bem estar, geralmente aliadas a descobertas científicas das mais diversas áreas.

Hoje apareceu por lá um artigo da neurocientista Suzana Herculano-Houzel, professora da UFRJ, sobre música e o prazer que ela nos proporciona. Seu título é “O ‘barato da música’”.

“Quanto mais músicas ouve, mais o cérebro aprende a encontrar e antecipar padrões em melodias e ritmos cada vez mais complexos e, assim, mais músicas complexas quer ouvir. O ‘barato’ da música vem do trabalho que ela dá ao cérebro.”, diz o texto, em seu último parágrafo.

Isso contradiz um pouco o que acontece com o nosso mercado, porque no dia a dia vemos justamente o contrário. As pessoas procuram para ouvir as melodias as quais já estão acostumadas, renegando os “novos” e “complexos” sons. É só reparar nas paradas de qualquer rádio do nosso dial. Podemos pegar como exemplo uma das febres mais fortes dos últimos tempos: o emocore.

Conhecido como emo, esse tipo de som ainda cresce a cada dia. Apesar da incontável quantidade de bandas que existem e surgem no mercado, as estruturas das suas músicas são muito semelhantes. Não há muita diversidade. É um som que mescla o punk rock com sua vertente mais rápida, o hardcore, e, nas letras, trata de relacionamentos, problemas sentimentais e outras dúvidas que acham lar nas mentes adolescentes mundo afora. O som não tem nada de complexo (3 acordes já bastam) e quem não acompanha a cena confunde muito facilmente as bandas.

O próprio texto afirma essa negação ao “desconhecido”: “seqüências que seguem padrões complexos demais para serem descobertos pelo cérebro, ou que não seguem padrão nenhum, são frustrantes para o sistema de recompensa - e logo são abandonadas, por não oferecerem prazer algum”, afirma a neurocientista.

Mas se o texto se contradiz nesse sentido, acerta em cheio em outro ponto, principalmente no caso de um apaixonado por música como eu. Sim, música “dá barato”.

Um careta (eu?) pode, sim, viajar ao ouvir uma música ou um som. Pode se remeter para longe, ter sensações inexplicáveis e outras conseqüências relatadas por junkies em suas viagens químicas. É o que o texto chama de sistema de recompensa: “Sim, boas músicas dão ‘barato’ ao cérebro. Por definição, a boa música é aquela que dá trabalho ao cérebro na dose certa e leva à ativação do sistema de recompensa: quanto mais intensa essa ativação, mais intensa a sensação de prazer”.

Infelizmente, a massa não conhece essa sensação. Seu sistema de recompensa já fica todo alegrinho por qualquer som que é executado à exaustão pelas rádios e programas populares da TV. É uma forma de domar a massa e anular o seu senso crítico, agora não só se resumindo ao tema música. É muito mais complexo que isso.

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