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Artigo - Santa Música

* Ricardo Sá

Historicamente, há quem alegue que a música nasceu na igreja e, sendo assim, necessita sempre ser ouvida e pensada como algo sagrado. Mas há, também, aqueles que justificam certos abusos dizendo que a música é muito mais coisa do corpo e da mente, do que da alma. Ou seja, não tão divina.

Em um cenário diversificado como o brasileiro, a música cristã vem ganhando cada vez mais importância e espaço, já que não há limites para a criação. Ganhou adeptos, ritmos distintos, bandas e grupos, fãs, ídolos, e um movimento predominantemente adolescente. O número de emissoras religiosas ou não que transmitem ou abrem espaço para esse nicho cresce a cada dia, comprovando a evolução do contato com Deus através dos sons. Tem-se impressão de que o véu está se abrindo. Na prática, por razões que impactam a sociedade, as pessoas procuram cada vez mais um sentido para a vida, uma razão para viver e crer na felicidade. Estamos todos barulhentos demais em nosso interior para fazer silêncio, intensamente agitados para ouvir uma palavra confortável, e cansados demais para ser capaz de dar espaço ao novo e sobrenatural.

Aí está o espaço cativo da música cristã, com sua qualidade e habilidade para dizer à alma o que os ouvidos já tensos repelem. O que as pessoas não são capazes de ouvir apenas pelas palavras, canções ajudam a penetrar o coração, aliviar os medos, diminuir a desconfiança e, quem sabe até, fazem com que se possa distinguir a palavra que até aquele momento era confundida com o barulho de sempre. A música é um instrumento capaz de preparar o terreno do coração para que se ouça a palavra de conforto, ou de Deus. A mensagem ainda pode chegar ao coração daquele que, mesmo no meio da multidão, é único aos olhos de Deus e pode, através de uma experiência pessoal, descobrir e comprometer-se com uma nova maneira de viver. É a terapia da alma e o conforto do coração.

* Ricardo Sá é músico, cantor, apresentador da TV Canção Nova e ministro de música da Comunidade Canção Nova

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