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Abu, o que é a vida?

 

Mesmo com tremendas dificuldades que por ora estamos passando para atualizar nosso blog, bem como o nosso programa de rádio, não poderíamos nos furtar de publicar tão triste notícia, ainda que com um inaceitável atraso. De qualquer maneira, é uma forma de homenagearmos - só os leitores mais antigos lembram disso - uma das fontes inspiradoras deste blog.

Parafraseando o grande ator/diretor/apresentador: "Caro leitor, o que é a vida?"


Faleceu na manhã desta terça-feira, aos 82 anos, apresentador do Provocações Antônio Abujamra. A causa da morte ainda não foi divulgada. Abu, como era conhecido, era diretor de teatro, ator e dramaturgo. Deixa dois filhos e dois netos. O velório será realizado no Teatro Sérgio Cardoso, no bairro da Bela Vista, em São Paulo (Rua Rui Barbosa, 153).


Antônio Abujamra - biografia
Um provocador nato

No dia 13 de setembro de 1932, em Ourinhos, cidade do interior de São Paulo, nascia Antônio Abujamra.  Provocador nato, Abu, como era conhecido entre amigos e familiares, se formou filósofo e jornalista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

Mas foi por seu destaque no teatro e sua inovação na televisão que ele entraria para a história da intelectualidade brasileira. Sua primeira experiência nas artes cênicas se deu como ator amador, na fase de seus 20 anos, com a peça Assim é se lhe parece, de Luigi Pirandello, encenada no Teatro Universitário de Porto Alegre.

Após uma temporada no teatro amador do Rio Grande do Sul, Abu ganhou, em 1959, uma bolsa para estudar literatura espanhola em Madri, na Espanha. De lá seguiu para Paris, onde trabalhou com Roger Planchon e Jean Vilar. Em seguida foi para a Alemanha, país no qual participou da companhia de teatro Berliner Ensemble, de Bertold Brecht.

De volta ao Brasil, dirigiu, em 1961, Raízes, de Arnold Wesker, com Cacilda Becker, que marcou sua primeira direção profissional. Entre 1962 e 1963, Abujamra fundou o grupo Decisão, com base na técnica brechtiana para o teatro político. O trabalho, no entanto, teve fim com o AI-5, durante a ditadura militar. Desde então, ele comandou mais de 150 montagens. Sua atuação como ator profissional, no entanto, se deu de forma tardia, em 1987.

Em entrevista à revista IstoÉ/Senhor, em 1988, falando do início de sua carreira, Abujamra declarou que “Quem não pensa que é sério quando jovem? Quando jovem eu pensava dirigir uma peça para mudar o mundo. Tinha uma fúria dedicada”.

Durante a entrega do Festival Hispânico de Miami, realizada em 1996, Abujamra discursou sobre o teatro: “E para que serve a utopia? Eu dou um passo, o teatro dá dois passos. Eu dou dois passos, o teatro dá quatro passos. A utopia serve para isso: continuar caminhando”.

Na televisão, fez parte dos mais diversos programas, passando por emissoras como TV Tupi, SBT, Bandeirantes, Manchete, Globo e Record. Ao lado de Fernando Faro, Abujamra trabalhou em Divino Maravilhoso e Colagem, na TV Tupi. Além disso, dirigiu novelas como Ossos do Barão, no SBT, e Os Imigrantes, na TV Bandeirantes.

Como ator, atuou na TVs Manchete, Record e Globo, sendo que, nesta última, ficou eternizado como o Ravengar, personagem da novela Que rei sou eu?, de Cassiano Gabus Mendes, de 1989.

Em 1971, passou a integrar a equipe da TV Cultura. Sobre o início de sua trajetória na emissora pública paulista, ele afirmou em entrevista datada de 2012: “Quando entramos na TV Cultura, era para mostrar que nós não deveríamos ser copiadores, nós deveríamos ser copiados. Era uma geração que não tinha medo de nada, que fazia as coisas com coragem, que acreditava na possibilidade de esclarecer popularmente”.

Na TV Cultura, dirigiu infantis como Vila Sésamo e participou de programas como Contos da Meia-Noite e Grande Teatro em Preto e Branco. Desde 2000, ele estava à frente do programa Provocações.

Principais prêmios

- Juscelino Kubitschek de Oliveira, em 1959 - Pela direção de A Cantora Careca, de Eugène Ionesco

- Melhor ator, em 1987 - Por O Contrabaixo, de Patrick Suskind

- Kikito de melhor ator - Festival de Gramado, em 1989 - Pelo filme Festa, de Ugo Giorgetti

- Melhor ator de TV, 1989 - Por sua atuação como Ravengar na novela Que rei sou eu?, de Cassiano Gabus Mendes, na TV Globo

- Molière, em 1991 - Pela direção de Um Certo Hamlet, com o grupo Os Fodidos Privilegiados

- Lifetime Achievement, em 1996, no XI Festival Internacional de Teatro Hispânico em Miami, Estados Unidos.

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