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Rádio é empresa, sim!!!!

Em todas as discussões que se faz sobre a questionável qualidade musical do rádio FM, consequencia do jabá, uma das principais desculpas que os profissionais que nela trabalham é a seguinte: "rádio é uma empresa como outra qualquer". Quanto a isso, não há o que se discutir. Quero lembrar apenas de um texto de Mino Carta publicado como posfácio de um livro sobre a Folha de S. Paulo. Nele, o jornalista fala sobre o conceito de um jornal se assemelhar a uma empresa. Basta trocar aqui o jornal pelo rádio. Rádio é empresa, sim. Resta saber como cada empresário enxerga o seu negócio. Existem aqueles que são comparáveis a Al Capone. Enquanto isso, outros se assemelham muito a Henry Ford.

Certa vez, Alexandre Hovoruski, diretor da Rádio 89FM deu a seguinte declaração à reportagem da revista Frente a respeito do fato de que se ouvem as mesmas coisas na programação musical das rádios. Ele disse: "faltam produtos bacanas para a gente tocar". Como já escreveu certa vez o companheiro Marcos Ribeiro, trata-se de um colóquio flácido para suíno dormir. Com base em que Hovoruski pode afirmar isso? Nas tais "salas-de-teste" que ninguém sabe como funciona, quais são os critérios usados para avaliação, como são escolhidos as pessoas de que dela participam. A impressão é que trata-se de mais uma série de desculpas para se manter o estado atual das coisas. Com um pouco de boa vontade, dá para se colocar bandas novas no ar. Basta usar os horários noturnos, que poderiam servir como um laboratório para que as emissoras fizessem experiências até com programas novos.

Taí o exemplo do Garagem, da Rádio Brasil 2000 FM, que não me deixa mentir. O programa começou a ser veículado a meia-noite, todas as segundas, e hoje está num horário bem "nobre", começando às 22h. Aliás, peço licença para reproduzir algumas de declarações de Paulo Cesar Martin, um de seus apresentadores, retiradas de uma antiga entrevista sua: "O programa tem três anos no ar. A gente não paga nada pelo horário. Eles não pagam nada para a gente. O programa começou a dar um retorno grande para rádio, tanto que hoje o programa é das dez à meia noite. Não porque todo mundo é bonzinho. Deu audiência. Dos programas da rádio só perde pro Na Geral (programa dedicado a esportes), em termos de audiência." - falando sobre o Garagem.

"É um negócio generalizado. Envolve uma outra coisa, que está impregnada na própria imprensa brasileira. E não é só em rádio. Em rádio tem esse esquema, a mesma música toca em 50 rádios, 10 vezes por dia. Mas se você pega, por exemplo... a Marisa Monte vai lançar um disco novo. Isso é capa de todos os cadernos de cultura dos grandes jornais, no mesmo dia! Quer dizer, ninguém mais tem vontade de pensar. A assessoria vai e manda material. E você não pode dar a notícia antes de ninguém. Rádio é a mesma coisa. Tudo está meio estagnado demais. Está num esquema viciado que é difícil quebrar. Televisão, a mesma coisa. Se o Zezé di Camargo lançar o disco dele antes no Gugu do que no Faustão, o Faustão vai puni-lo por dois meses, não vai mais chamar para ir no programa. É tudo assim..." - sobre a mesmicie no rádio (e na imprensa também. "Hoje está muito fácil fazer jornal, fazer rádio. A coisa cai no seu colo mastigada. Você chega lá bota no ar e tchau. Teu comprometimento é zero. O nível de riatividade é zero." - ainda sobre o mesmo assunto.

Parece até texto planfetário de um leitor do combativo blog Rádio Base (http://radiobaseurgente.blogspot.com), não? Mas se trata de alguém que está lá do outro lado do balcão, que deve conhecer os meandros do assunto. É a opinião de alguém que está há mais de três anos no ar com um programa de música, digamos, alternativa, com grande sucesso.

Para terminar, quero falar da velha questão da falta de anunciantes no rádio. Por mais de uma vez, já ouvi e li entrevistas de profissionais do setor dizendo que os criadores têm preguiça de gastar seus preciosos neurônios para elaborar peças ao meio. O povo das agências prefere mais o "glamour" da criação para a tv (prêmios, status, etc.). Esse é um dos motivos que impede o rádio de receber uma parte maior das verbas do bolo publicitário. Até quando essa mentalidade vai perdurar?

Rodney Brocanelli
São Paulo - SP


A expressão correta é: "Colóquio flácido para ninar bovino", que nada mais do que o famoso "Conversa mole para boi dormir", segundo o nosso grande mestre do radiojornalismo José Nello Marques.

Pelo que pudemos constatar até aqui, quase 40% dos nossos leitores trabalham em rádio ou com comunicação, em contraposição à outra parte do leitorado composta de leigos e ouvintes que gostam de rádio. De qualquer modo, todos são benvindos, "especialistas" ou não.

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