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sexta-feira, 13 de março de 2015

TV Cultura homenageia Inezita Barroso com programação especial


Inezita Barroso, falecida no último domingo, dia 8, aos 90 anos, estava na TV Cultura desde 1980. Além de apresentadora do Viola, Minha Viola por cerca de 35 anos, a cantora participou de outras atrações e, neste momento de pesar, a emissora resgata programas com a saudosa dama da música caipira de raiz.

Nesta sexta-feira, dia 13 de março, às 19h30, Inezita está no centro do programa de entrevistas "Roda Viva", exibido em julho de 2010, quando a apresentadora, aos 85 anos, comemorava três décadas do "Viola, Minha Viola". No sábado, 14 de março, às 20h, vai ao ar o programa "Viola Minha Viola – Especial Inezita".

No domingo, dia 15, às 7h, entra o programa "Mosaicos – A Arte de Inezita Barroso". Às 9h, reapresentação do "Viola Minha Viola – Especial Inezita". E, às 15h30, na faixa "Mestres do Riso", a dama da música caipira é atriz no filme "É Proibido Beijar", produção de 1954. O roteiro traz uma mulher que, por causa de uma aposta, se faz passar por uma atriz internacional, causando muita confusão para um jovem jornalista endividado.

terça-feira, 10 de março de 2015

Cantora de voz possante e inebriante, Inezita Barroso, ajudou a desenhar a história da música caipira brasileira


Por Fernando Pereira da Silva*

E a Grande Dama da Música Caipira se foi. Morreu na noite deste domingo (8) a cantora e apresentadora Inezita Barroso. Caipira com C maiúsculo, pois sem dúvida, Inezita foi a principal e maior defensora da cultura caipira, à qual dava espaço no programa "Viola, Minha Viola", que apresentou por quase 35 anos na TV Cultura de São Paulo. Inezita havia completado 90 anos no último dia 4. A cantora deixa uma filha, Marta Barroso, três netas e cinco bisnetos.

Ignez Magdalena Aranha de Lima, nome de batismo de Inezita Barroso, nasceu em 4 de março de 1925, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. De tradicional família paulistana, passou a infância cercada por influências musicais diversas, mas foi na fazenda da família, no interior paulista, que desenvolveu seu amor pela música caipira e pelas tradições populares.  Formou-se em Biblioteconomia pela USP, e foi uma grande pesquisadora do gênero musical. Por conta própria, percorreu o Brasil resgatando histórias e canções.

Cantora de voz possante e inebriante, contralto capaz de dar vida e identidade própria a qualquer composição que interpretasse, Inezita era também instrumentista, violeira, em terra na qual a viola é “coisa de homem”, ou pelo menos era, na época em que iniciou sua carreira nos idos da década de 1940. Outra grande característica era seu lado pesquisadora e de atilada folclorista, muito embora, o mais correto fosse dizer que ela é uma antropóloga, uma etnóloga da música brasileira, Uma Mário de Andrade de saias, a quem desde os nove anos ela esperava passar enquanto andava de patins, já que o mestre do modernismo era seu vizinho. Inezita se devotou ao longo de sua vida a estudar e registrar a música do povo do Brasil.

Nunca cedeu aos apelos da comercialização mais fácil, e por isso foi acusada de intransigente. Para ela o importante era esmiuçar as entranhas desse estranho país a que conhecemos como Brasil. Registrou a alma desse país, transmutada em cantigas, aboios, cateretês, toadas, baiões, tiranas, sambas e modas de viola, entre outros ritmos, alguns já infelizmente sepultados pela voracidade do progresso.

Inezita sempre cantou sua terra e sua gente, naquilo que de mais claro, belo, puro, rítmico e singelo existiu e existe. Os múltiplos cantares, ao qual emprestou sua voz possuída pela fúria da beleza em obras como: o cantar amazônico, de “Minha terra”, de Waldemar Henrique, o caipira, como na “Moda da pinga”, de Cunha Júnior, entre outros que se dizem autores dela, ou na “Moda da onça”, tema tradicional por ela recolhido. Em cantares seresteiros e saudosistas, como na valsa “Lampião de gás”, de Zica Bergami. Ou na “Congada”, de Inara Simões de Irajá, ou no “Nhapopê”, do folclore gaúcho, ou na valsa “Ismália”, poema de Alphonsus de Guimarães musicado por Capiba.  É triste dizer, mas o trabalho de Inezita artístico é o mais fiel retrato de um Brasil em fase final de liquidação, vencido pelo progresso e pela globalização. É por isso que sua arte, lamentavelmente, só encontra espaço em canais de TV específicos. Talvez se seus discos tivessem sido mais divulgados, e tivesse sido ela para cantar e ser ouvida mais e mais através de canais de ampla penetração como as grandes redes de TV comerciais, talvez fôssemos hoje outro país, mais consciente de si mesmo e de sua identidade. Com certeza teríamos uma música mais próxima de nossa terra, do que do canto com cheiro de plástico e hambúrguer e fast-food. Há mais de trinta anos apresentando na TV Cultura o programa “Viola, minha viola”, tornou-se referência na música sertaneja tradicional e madrinha de muitos artistas e duplas sertanejas tornando-se a ida a seu programa dominical um verdadeiro troféu para os artistas.

Vai com Deus Inezita. E minha homenagem vai com os versos finais da poesia Brasil Caboclo, do poeta paraibano Zé da Luz, pois você foi a mais digna representante do “Brasi caboco. Um Brasi bem brasilero, sem mistura de instrangêro”. Um Brasi nacioná! Brasi, qui foi, eu tô certo argum dia discuberto, pru Pêdo Arves Cabrá.

*Fernando Pereira da Silva é especialista em Cultura Caipira e professor do Centro de Comunicação e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).

segunda-feira, 9 de março de 2015

Inezita Barroso é sepultada em São Paulo


A cantora e apresentadora do Viola, Minha Viola, Inezita Barroso, foi sepultada há pouco, por volta das 17h, no cemitério Gethsêmani, na zona sul de São Paulo. A cantora faleceu na noite do último domingo, 8 de março, em decorrência de uma pneumonia, no Hospital Sírio Libanês. Em 4 de março, ela havia completado 90 anos de vida. Ao longo da manhã e da tarde desta segunda-feira, milhares de pessoas, entre autoridades, artistas, familiares, amigos e fãs, foram à Assembleia Legislativa de São Paulo para se despedir de Inezita.

Autoridades como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Chico Sardelli, além de artistas como Paulinho (da dupla César e Paulinho), Lourenço e Lourival, Donizete, Léu e Rolando Boldrin, além de outros representantes do cenário musical caipira, participaram do velório.

O presidente da Fundação Padre Anchieta, Marcos Mendonça, e o presidente do Conselho Curador da FPA, Belisário dos Santos Jr., além dos funcionários da Rádio e TV Cultura, onde a apresentadora comandou o Viola, Minha Viola por quase 35 anos, também estiveram presentes. Segundo o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a luta de Inezita pela preservação da cultura caipira se conecta com a origem da cultura brasileira. “Ela resgatou um ativo extraordinário de todos nós, brasileiros, e que forma a nossa nação e as nossas raízes”, declara.

“A nossa cultura, a brasilidade e a nossa tradição dependeram muito do trabalho que ela desenvolveu. É graças a ela que temos essa pujança, essa força na nossa música de raiz”, afirma Marcos Mendonça, presidente da FPA. "Fica esse misto de tristeza pela perda física, mas o misto também de alegria por tudo que ela fez e deixou", afirma Chico Sardelli, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Para a família, ela cumpriu a missão em defesa da cultura popular e deixa um legado para a próxima geração. “O que ela começou a semear de cultura brasileira, de viola e música caipira, que as pessoas que estão aí continuem o trabalho dela”, diz Marta Barroso, filha da cantora, que ainda salienta o fato de a mãe ter falecido no Dia Internacional da Mulher. “Morrer no Dia da Mulher não foi por acaso. Até para morrer ela escolheu uma data marcante”, conclui.

Seguem outros depoimentos:

Joãozinho, violeiro do grupo Regional Viola, Minha Viola: “Com grande dignidade, a Inezita foi fiel à música de raiz. Durante toda a vida se dedicou a sua pesquisa e divulgação”.

Donizeti, cantor: “Sou artista desde criança e minha primeira aparição foi no Viola. Eu adorava a Inezita. A gente tinha uma amizade muito boa. Ela fez 90 anos e cumpriu dignamente a cultura caipira, que ela tanto defendeu”.

Léu, da dupla Liu e Léu: Inezita, você faz parte da nossa vida e de todos os sertanejos. E nós vamos continuar te adorando, te amando, como sempre foi. Que Deus te dê muita luz e te proteja.

Lourenço e Lourival: Inezita representou tudo para a música sertaneja. Devemos a Deus e a ela a nossa carreira.
   
Eduardo Suplicy, atual secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo: “Inezita Barroso foi uma extraordinária artista, cantora, compositora. Desde menino sempre apreciei quando ela cantava Lampião de Gás, Marvada Pinga e tantas outras músicas bonitas do folclore brasileiro. Ela merece esse carinho tão significativo do povo que veio aqui dar seu último adeus”.

Belisário dos Santos Jr., presidente do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta: “Não é só a música  brasileira que perde, é a cultura e o mundo das artes. Não há quem possa substitui-la. Temos que ter a sabedoria para preencher essa lacuna. Temos que ser os herdeiros de sua sabedoria para continuar seu trabalho”.

Inezita Barroso, precursora da música sertaneja, morre aos 90 anos


Inezita Barroso comandava o programa "Viola, Minha Viola", na TV Cultura de São Paulo, desde 1980 (foto: Jair Magri / Divulgação)
Morreu na noite deste domingo, 8 de março, a cantora e apresentadora do Viola, Minha Viola, Inezita Barroso, reconhecida como a mais antiga e mais importante expressão artística  da música caipira do País. No último dia 4, havia completado 90 anos de vida. Ela deu entrada no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em 19 de fevereiro. Inezita Barroso deixa uma filha, Marta Barroso, três netas e cinco bisnetos.

Inezita Barroso, a grande dama da música de raiz - Ignez Magdalena Aranha de Lima, nome de batismo de Inezita Barroso, nasceu em 4 de março de 1925, em um domingo de Carnaval, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Filha de família tradicional paulistana, passou a infância cercada por influências musicais diversas, mas foi na fazenda da família, no interior paulista, que desenvolveu seu amor pela música caipira e pelas tradições populares. Formada em Biblioteconomia na USP (Universidade de São Paulo), Inezita foi uma grande pesquisadora da música caipira brasileira. Por conta própria, percorreu o interior do Brasil resgatando histórias e canções. Reconhecida por este trabalho, foi convidada a dar aulas sobre folclore em uma universidade paulista. Pelo seu trabalho como folclorista, e por ser uma enciclopédia viva da música caipira e do folclore nacional, recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore pela Universidade de Lisboa.

O nome artístico foi criado aos 25 anos, quando ela juntou seu apelido de infância, Inezita, ao sobrenome do marido, Barroso. A artista Inezita Barroso era cantora, instrumentista, folclorista, atriz e professora. Começou a cantar e estudar violão aos sete anos. Depois, começou com viola e piano. Tomou gosto pelo universo rural já nos primeiros anos de sua vida e na adolescência, e sua carreira como cantora começou no início dos anos 1950, no nordeste, onde realizou recitais de grande sucesso. Durante sua trajetória como cantora, Inezita gravou cerca de 100 álbuns.

O primeiro DVD musical da dama da música raiz, Inezita Barroso – Cabocla Eu Sou, foi lançado em dezembro de 2013 e sintetiza os mais de 60 anos de carreira da artista. É uma das cantoras mais premiadas do Brasil, sendo detentora de mais de 200 prêmios, entre eles o Prêmio Sharp de Música na categoria Melhor Cantora Regional, o Grande Prêmio do Júri do Prêmio Movimento de Música, em homenagem aos 47 anos de carreira, e o Prêmio Roquette Pinto como Melhor Cantora de Rádio da Música Popular Brasileira. Sua longa carreira foi coroada com o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 2010, e com a escolha de seu nome para ocupar uma das cadeiras da Academia Paulista de Letras, em 2014. A imortal Inezita seria empossada oficialmente em meados deste ano.

Em 2009, Inezita recebeu do governo do Estado de São Paulo o título vitalício de Grande Oficial pelo compromisso com as raízes culturais do país e pela contribuição significativa para o entretenimento dos brasileiros. Na tevê, sua carreira começou junto com a TV Record, onde foi a primeira cantora contratada. Depois, passou pela extinta TV Tupi e outras emissoras, até chegar à TV Cultura para comandar o Viola, Minha Viola. Na rádio, Inezita esteve à frente de microfones como da Rádio Nacional, Record, USP FM e Rádio Cultura AM, onde apresentou, por 10 anos, o programa diário Estrela da Manhã.

O começo de tudo - O mais antigo programa de música da TV brasileira no ar, O Viola, Minha Viola estreou no dia 25 de maio de 1980, com apresentação de Moraes Sarmento (1922-1998) e Nonô Basílio (1922-1997), nos estúdios da TV Cultura, na Barra Funda. A partir da terceira edição (em junho), Inezita Barroso passou a participar da atração como convidada fixa e logo já conquistou a simpatia do público. Meses depois, em agosto, Nonô deixou o programa e Moraes ganhou como parceira a mulher que, anos mais tarde, tornar-se-ia a dama da música caipira no País.

Nessa época, a atração também ganhou espaço exclusivo: mudou-se para o Auditório Franco Zampari, na região da Luz, em São Paulo. Durante algum tempo, o Viola foi itinerante e viajou por diversas cidades do interior paulista, voltando, mais tarde, a fixar-se no Zampari.
Inezita gravou mais de 1500 edições do Viola, Minha Viola, voltado a modas de viola, música de raiz, lendas e danças folclóricas.

Tendo se tornado um verdadeiro centro da tradicional música de raiz, ao longo dos anos, o palco do Viola recebeu os maiores astros do gênero como Tonico e Tinoco; João Pacífico; As Galvão; Pedro Bento e Zé da Estrada; Cascatinha e Inhana; Milionário e José Rico; Tião Carreiro e Pardinho; Almir Sater; Daniel; Chitãozinho ; Xororó; Renato Teixeira; Sergio Reis; entre muitos outros célebres do cenário musical caipira.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Cultura exibe especial de Natal com Sérgio Reis e Renato Teixeira



Amizade, música e celebração. No próximo domingo, dia 21 de dezembro, o Viola, Minha Viola exibe um programa especial de Natal com dois parceiros de música e trajetória: Sérgio Reis e Renato Teixeira. Acompanhados de seus filhos e banda, eles fazem um pré-lançamento exclusivo do projeto Amizade Sincera 2, que chega em DVD no início de 2015. No ar às 9h, na TV Cultura.

“Meus amigos e minhas amigas de todo o Brasil, chegou o período do Natal e reservamos para vocês um musical maravilhoso. É um programa especial com os meus amigos Renato Teixeira e Sérgio Reis. Dois amigos que eu respeito muito. E trazem uma beleza de repertório. Emocionante, cativante, direto no coração de quem ama música”, anuncia Inezita Barroso.

No palco, Renato Teixeira e Sérgio Reis saúdam a apresentadora da atração como uma referência para a música brasileira. “Hoje, eu e o Sérgio estamos aqui no Viola, Minha Viola cantando para uma das mulheres mais importantes que já nasceram neste país: Inezita Barroso”, diz Renato na abertura do programa. “Uma mulher que doa a sua vida para a nossa música sertaneja. É uma honra para mim, para o Renato e para os nossos músicos poder encerrar este Natal aqui. Saiba que você é muito amada por nós todos”, continua Sérgio.

Os dois são acompanhados pelos músicos Chico Teixeira (violões), filho de Renato, Natan Marques (violões), Márcio Corrêa (percussão), Wilson Levy (baixo), Márcio Werneck (charango e flauta) e Marco Bavini (viola). O repertório do programa conta com 14 músicas, com destaque para Folia de Reis, O Menino da Porteira, Amanheceu, Peguei a Viola, Um Violeiro Toca, Romaria, Pai e Filho, Filho Adotivo e Amizade Sincera.

Durante a atração, Renato e Sérgio trocam elogios e falam da cumplicidade que existe entre eles. “O Serjão está completando 55 anos de carreira sem sair do topo. É um artista raro”, elogia Teixeira. “Ele é o cantor que mais gravou música minha. Eu me sinto um pouco especialista em compor para Sérgio Reis”. O amigo, por sua vez, justifica essa posição: “Não sou bobo nem nada. Esse é um baita poeta”, responde Sérgio.