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1984 ou O Ministério da Verdade

Há alguns anos, a equipe da Rádio Base (Marcos Ribeiro e eu) fomos convidados para uma coletiva de imprensa na sede do IBOPE, aqui em São Paulo. A pauta era medição de audiência em rádio.

Eu, pessoalmente, não dou a mínima para os números divulgados pelo instituto. Acho engraçado esse pessoal que fica aflito, só esperando a divulgação dos tais números. A metodologia de medição é mais distorcida do que a imagem da Philco-Hitachi P&B que eu tinha aqui em casa. O resultado não passa de uma sombra da realidade.

Para solucionar esse problema, o IBOPE, nessa coletiva, anunciou a intenção de adotar um aparelho eletrônico e, conseqüentemente, uma nova metodologia de medição de audiência em rádio. As emissoras iriam inserir em seu sinal um código sonoro que não seria ouvido por nós, mas captado por esses aparelhos, que computariam, em tempo real, o que a pessoa portadora estaria ouvindo. Esse pequeno aparelho acompanharia a pessoa durante o dia, na rua, no carro, no ônibus, etc. Se o número de aparelhos fosse grande e abrangesse uma grande área, aí sim teríamos número mais "reais" de audiência em rádio. Mas veio uma barreira.

Esse aparelho invadiria a privacidade da pessoa que o portasse. E o IBOPE saberia (quase) tudo o que essa pessoa faz durante o dia, por onde anda, etc. Então, pelo que parece, o projeto foi abortado. Tanto é que até hoje não mais se falou nessa novidade.

Mas agora surge a notícia de que carros novos sairão de fábrica com um aparelho que funcionará como uma caixa-preta. Registrará os dados de funcionamento do carro e terá GPS. Talvez o IBOPE pudesse aproveitar a oportunidade e adotar o tal aparelhinho, já que o DETRAN e outros órgãos competentes terão informações sobre os automóveis e seus usuários, o que caracteriza uma invasão de privacidade igual ou maior do que o inofensivo aparelhinho proposto pelo instituto de pesquisas. Perto do GPS do DETRAN, o aparelho do IBOPE é fichinha.

Comentários

Anônimo disse…
As vezes parece que existe uma má vontade do IBOPE em fazer a medição de rádio de forma decente...
Faz uns dois anos que foi um cara do IBOPE na minha faculdade pra dar uma palestra falando sobre pesquisa de forma geral e acabou falando sobre medição de audiência. O engraçado é que ele meteu o pau na forma como a medição de audiência da televisão era feita antigamente (perguntando às pesoas, nas ruas ou de porta em porta, que emissoras assistiam, com resultado mensal) pra valorizar a forma como é feita hoje, que é "referência mundial" e tudo mais...
Perguntei pra ele porque a medição de rádio ainda era feita assim, se eles reconheciam que não era precisa. Ele só disse que rádio é mais difícil e que eles estavam estudando outro modelo.

Estão??? Com tanta gente acreditando nesses números como se fossem verdade absoluta, não sei não!
Anônimo disse…
P.S.: Marcos... Philco Hitachi não era mais moderninha?
Eu lembro de uma mais velha ainda... de seletor, mas era Philco Ford, preto e branco e com todo mundo com a testa do Frankstein ou Herman Monstro!
Marcos Lauro disse…
Eu tinha uma Philco Hitachi, daquelas que precisava usar transformador. Se ligasse direto na tomada, ficava ruim o negócio! heheh

E, sobre o IBOPE, é como eu disse mesmo. Eu já parei de ver esses números há muito tempo. É papo de publicitário... e esse é que é o problema, já que são eles que escolhem onde pôr o dinheiro do cliente na hora de anunciar.
Anônimo disse…
É por isso que em nosso blog primamaos em não levar muito a sério esta história de medição de audiência em rádio. Lembro-me que neste mesmo dia uma gentil gerente do Ibope tentou nos explicar como funcionava esta história de ouvintes por minuto. Ficou uma meia hora explicando. Recorri aos meus tempos de aula de estatística na faculdade e, quanto mais a simpática executiva explicava, menos a gente entendia. No final ela mesmo confessou:"precisamos mesmo rever este conceito de ouvintes por minuto para rádio porque nem eu mais estou entedendo estes parâmetros."
Anônimo disse…
Amigos, não dá pra confiar nesses institutos de pesquisa. tenho uma boa historinha pra contar sobre esse tal do Ibope. Trabalhei em uma rádio no interior de SP (em uma cidade com mais de 300 mil habitantes)que transmite, aos domingos, das 8h às 9h, a missa celebrada em uma igreja católica.

Pois bem, durante muitos anos a transmissão da missa sempre ficou em primeiro lugar no horário, com uma diferença gigantesca em relação à rádio concorrente (do tipo muitas centenas na missa contra poucas dezenas na outra).

Porém, o dono da rádio (de saco cheio de ter de pagar uma grana alta para participar da medição do Ibope) resolveu que não ia participar naquele ano. O resultado foi que a tal da missa teve uma queda gigantesca no Ibope. O pior é que a principal rádio concorrente não fez nada que pudesse influenciar o resultado (e nenhuma outra rádio da cidade também não). O que gerou a seguinte dúvida: será que os católicos que ouviam a missa pelo rádio desistiram de ser católicos? O pior é que na medição seguinte do Ibope a Missa voltou a ganhar de lavada. Ah, sim! O dono da rádio havia voltado a pagar para participar da medição.

Tenho várias histórias que só confirmam o que já se sabe:não dá pra confiar nesses institutos.
Marcos Lauro disse…
Marcelo, mas como convencer quem tem o dinheiro pra investir e anunciar em rádio disso? Os caras seguem esses números como se fossem sagrados...

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