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O balanço anual de Magaly

Retrospectiva FM
Magaly Prado, da Folha On Line

O dial FM decepcionou ao longo de 2003. As emissoras de ponta, cada vez mais populares, não tentaram melhorar absolutamente nada o nível da programação para assim criar gosto mais apurado ao ouvinte comum. Com a Tupi FM, segmentada em música sertaneja, galgando mês a mês a audiência das mais ouvidas, chegando ao final do ano em terceiro lugar, as rádios concorrentes passaram a "sertanejar" sua programação aos poucos, e hoje, as duplas sertanejas atuais dominam o espaço.

Menos massante, porém bastante presente, o axé, que muitos bradavam como modismo que não se sustentaria, como a lambada, provou que ainda tem fôlego e também deu cria. Um exemplo notório foi a Transcontinental colocar no ar um programa dedicado ao gênero no mesmo horário que sua concorrente maior, a Band FM, com o seu "Axé Band", líder de audiência nacional. Ambos são calcados em músicas baianas. De qualquer forma, a Transcontinental consegue resistir ao samba e pagode, ainda como ponto alto. Ao passo que a Band FM continua com a fórmula: samba-pagode, axé, sertanejo e brega romântico.

A única emissora segmentada em pop-rock entre as cinco primeiras, a Mix FM, precisou se popularizar o suficiente para figurar nesta posição privilegiada do ranking. Portanto, colocando no ar o mais "baba" dos rocks, o rock mais fácil de digerir, a balada roqueira etc em detrimento ao som mais
pesado. Isso lhe deu frente folgada as demais rádios que atendem os jovens como 89, Jovem Pan. Sem nomes fortes, o destaque é o humor leve de Felipe Xavier no programa "Chuchu Beleza", dropes espalhados.

A Sucesso FM resolveu apostar em música eletrônica na madrugada, o que destoou do resto do dia com atrações ultrapopulares. Conseqüência: perdeu ouvintes e saiu da lista das cinco primeiras, na qual esteve por anos e anos a fio.

A Gazeta que havia perdido terreno na guerra de audiência vem voltando aos poucos para sua posição tradicional: ficar entre as quatro primeiras.

A surpresa do dial FM foi a crescente e constante audiência do público fiel que gosta de rap a levar a 105 ao patamar das mais ouvidas, pelo menos à noite. Aliás, o que gerou alteração na grade de programação, como incluir mais rap entrando pela tarde também.

Várias emissoras permaneceram sem grandes mudanças. Nem em conteúdo e nem em posição no ibope, caso da 89, Antena 1, Jovem Pan, Alpha. A 89 consolidou o "Do Balacobaco" como programa engraçado nas manhãs da Rádio Rock, apresentado por Zé Luiz, o mesmo que faz reportagens no programa de TV da Adriane Galisteu.

Metropolitana investiu em famosas como Daniella Cicarelli, que não durou três meses, porém mantém boa corrida aos bons números de audiência com o "Chupim", programa que com suas tiradas estapafúrdias faz de tudo para ganhar público.

Outra emissora que andou investindo em famosos e que deu com os burros n'água foi a Transamérica. Nada vingou, nem Tiazinhas levantaram a audiência, tão pouco Zepedrices seguraram o ouvinte na rádio que deveria voltar a apostar em seu estúdio com música ao vivo.

A Kiss FM se descaracterizou do projeto inicial. Diminuiu as vinhetas que a denominavam "classic rock" porque já estava ficando feio continuar a martelar insistentemente o slogan ao longo do dia, não condizendo mais com o que rola na programação atual. Virou mais uma rádio comercial sem personalidade.

Ao contrário da Energia 97 que mantém boa parte de sua programação no segmento dance-eletrônico. Digo boa parte, pois o programa de esporte e humor de final de tarde foge totalmente do restante.

O programa "Na Geral" acabou por sair da Brasil 2000 e ganhou a audiência nacional. Foi para a Rádio Bandeirantes AM, no mesmo fim de tarde, um dos horários tradicionais do esporte no rádio, e já abocanhou prêmio da APCA.

Por falar em Brasil 2000, passou por inúmeras tentativas de afinar a programação nos últimos tempos. Parceria com o projeto Aprendiz, capitaneado por Gilberto Dimenstein, virando uma rádio-escola; programa "Blog do Tass" com o talentoso Marcelo Tass, que não vingou por ter sido considerado um projeto caro; e agora está sob comando de Kid Vinil, que incluiu o programa "Nova Brasil" recém saído da rede Nova Brasil.

Por um lado, o esquema de acolher projetos que já chegam com patrocínio resolvem o problema financeiro que acomete a maioria das rádios, mas nem sempre seguem a mesma linha editorial proposta pelo departamento artístico.

A Imprensa FM é a demonstração de que alugar horário é possível. Ao longo do ano, todos os seus minutos foram vendidos. Na mesma linha da Mundial que também aluga seus espaços para terceiros.

Na verdade, inúmeras emissoras partem cada vez mais para este expediente: cobrar um X por hora para quem possui anunciante e assim vai colocando pessoas que não são radialistas ocupando o lugar dos profissionais do rádio.

Semana que vem trago a retrospectiva do dial AM
Beijos sonoros e feliz 2004!


Nossa, vou mandar um colírio virtual pra Magaly. Ela está vendo tudo cinza. Será que nada se salvou? Mal posso esperar para ver o balanço que ela fará do AM. Terá ela coragem de criticar a rádio América, emissora em que trabalha atualmente, por mudar uma programação de audiência certa e cativa por uma que nem sabe se dará certo ou não? Será que ela vai cobrir nosso amigo Roberto Miller Maia, diretor da rádio, de elogios? Será que ela vai meter a ripa novamente em comunicadores populares, que até pouquíssimo tempo atrás
eram seus colegas de emissora? Vamos aguardar momentos eletrizantes desta história!!!!!!

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